Bicho da Seda - um poema de Geni Guimarães
Posted: terça-feira, 23 de agosto de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: reflexões e angústiasNascia
tomei do alfabeto, os símbolos
O BLOG DOS POETAS VIVOS
Nascia
da folhagem amoreira
teu tecido: nossas vestes
é densidade suave.
Acolhemos as larvas,
ora façamos casulo
- lírica consciência -
tangendo de luz as colheitas.
Eis, no meio do caminho
te encontro pequenino:
Bicho da seda e gente
tome, pegue tua parte
desafinada de pedra
e bate que bate cinzentos
limos dos tempos
liames de nós mesmos
e de lira reverbera.
Afiado atabaque bate
tece o poema sem pressa
dissolve as amarras, esteta:
Bicho da sedosa esfera
Mama tua mãe e espreita
na fonte, mama tua mãe
fértil e fluída senhora
e assim como tu,
poeta e teta, mamo
minha mãe - a fonte plena,
ciranda selvagem pura
e perene - bate que bate
teu fôlego vivo emana:
Bicho de seda nua
se é santa ou serena
se é sádica, virgem
já não se sabe
só sei que nasceu um belo dia
emoção forte, vertigem
necessária e extrema
dissonante atabaque
bate, bate que bate
mama na fonte, explode:
Bicho da sede incessante.
Equalizar
o aquém
e o além
Conviver
com eros
e thanatos
Redimir
o inespressivel, o inexpressivo
a ilegível grafia
Adentrar sem pavor
aos agudissímos gritos
e o mais grave silêncio
Subverter o glamur
de uma liberdade impotente
- rédea e ferradura -
Enfrentar com humor
a certeza
e o enigma
Descobrir
ao outro
e a si
Aprender
a ensinar
e aprender
Ensinar
a aprender e ensinar
e aprender
Meu colega do curso de pós na USP: Paulo Vieira, grande poeta, paraense, recitando Drummond no SARAU DA COOPERIFA (15/06/11). Muito bom!
Teu corpo é signo:
matéria e essência
linguagem e enigma
- potência nua encoberta
de imagem e sentido
Tua pele contém
todas as letras
que vão e que vem
abstratas, precisas
na tensão do teu ritmo
Teu cheiro:
todas as cifras
intangíveis
poema translúcido
perfeito, inefável
- teu corpo é signo.
(Roberta Villa)
“Não sem justificado assombro as criançasdescobrem um dia que um quilo de pedras pesa o mesmo que um quilo de plumas...” (p. 121)

A fronteira ente a prosa e a poesia torna-se mais tênue após o modernismo, que alargou e problematizou as normatizações das formas estendendo as vias da prosa e do verso, possibilitando e provocando novas possibilidades de enxergar e interpretar o poético. Em “O Arco e a Lira” Octavio Paz discute esta questão - analisa mais detidamente o cenário da literatura espanhola, porém - apresentando ao leitor aspectos que consistem uma tendência geral da literatura moderna. “Na Espanha a ruptura com a poesia anterior é menos violenta. O primeiro a realizar a fusão entre linguagem falada e imagem não é um poeta em verso, mas em prosa: o grande Ramón Gómez de
Ao pensar a relação verso e prosa, Paz nos propõe uma reflexão genealógica sobre a linguagem e sua relação intrínseca com o ritmo, e desta forma, afirma que o ritmo não é exclusividade da poesia, pois na prosa, assim como em toda linguagem verbal, há ritmo. Contudo, o ritmo da poesia se apresenta de modo singular porque está articulado ao essencial de sua significação: a imagem. O argumento central, que “ritmo e imagem são inseparáveis” (p. 118) na construção do poema, dirige e fortalece uma profunda discussão acerca da potência da imagem diante dos limites da linguagem verbal. “O valor das palavras reside no sentido que ocultam. Ora, esse sentido não é senão um esforço para alcançar algo que não se pode realmente ser alcançado pelas palavras” (p. 128). Como diria Drummond, “sob a pele do poema há cifras e códigos”, com a leitura de Octavio Paz podemos compreender que essencialmente estas “cifras e códigos” do poema, de modo peculiar à prosa, são a articulação minuciosa entre ritmo e imagem.
Logo, a imagem é compreendida como mecanismo capaz de abrigar em si contradições, realidades distanciadas, apresentando-nos uma espécie de mosaico-caledoscópio de sentidos, sem a necessidade de racionalizar uma síntese entre os opostos: tomar dois elementos distintos para converte-los num terceiro. “Até para a dialética a potência da imagem resulta num desafio enigmático (...) a imagem é uma frase em que a pluralidade de significados não desaparece” p.130). Portanto, o autor afirma: “o sentido da imagem é a própria imagem (...) nada pode dizer o que (ela) quer dizer”, por conseguinte, “sentido e imagem são a mesma coisa”. A imagem é um choque de sentidos imaculados e potencializadores, capaz de conjugar instantaneamente o ambíguo e o paradoxal, como no caso do pesado leve de “um quilo de pedras” ou do leve pesar de “um quilo de plumas”. Independente do “quilo” a imagem da pedra é em si dureza e rigidez, enquanto as plumas não deixam de ser maciez e delicadeza; por este motivo a lógica científica, racional, pragmática não pertence à ordem da poesia. Estabelecendo esta argumentação, Paz busca provar o quanto “um poema não tem mais sentido que suas imagens” (p. 133) e assim como o sentido da imagem é a própria imagem, “o sentido do poema é o próprio poema” (p. 134), o que lhe garante uma autonomia de expressividade; conferindo, deste, modo legitimidade à idéia de que todo poema é auto-referencial, uma certa forma de metalinguagem. Se comparados lado à lado, poderia se falar numa esfera intra-referencial que circunda o poema e numa esfera “extra-referencial” da prosa, relacionada à engrenagem sistemática, coesa, conceitual que faz parte do processo de escrita e leitura do texto em prosa.
Não obstante é importante destacar que “a realidade poética da imagem não pode aspirar à verdade. O poema não diz o que é e sim o que poderia ser. Seu reino não é o do ser, mas o do “impossível verossímil” de Aristóteles” (p. 120 – 121). Discussão extensa e antiga, já anunciada no livro X de “A República”, de Platão, o qual evidencia o quanto ao poeta resta trabalhar com a incompletude de um “terceiro nível de mimeses”, não por menos, o dilema da representação é mote central do fazer poético. A tensão da palavra poética parece ser justamente sua sina em buscar traduzir-nos a pluralidade e ambigüidade da experiência do real, ainda que tenha consciência do impossível de fazê-lo. Essencialmente ritmo e imagem o poema é linguagem transgressora, pois ultrapassa as fronteiras da própria palavra: “o poema é a linguagem em tensão: em extremo de ser e em ser até o extremo” (p. 135); todavia, “o dizer poético diz o indizível” (p. 136). Magistral simbiose de ritmo e imagem, no poema se “penetra surdamente no reino das palavras”; o poeta não descreve, não representa, ele apresenta: “recria, revive nossa experiência do real” (p. 132). “Poesia, reino onde nomear é ser. A imagem diz o indizível: as plumas leves são pedras pesadas. Há que retornar à linguagem para ver como a linguagem pode dizer o que, por natureza, a linguagem parece incapaz de dizer” (p. 129).
Sobretudo, Octavio Paz confronta o conceito formalista de medida silábica que muito simplificadamente regulava a distância entre a prosa e o poema, refutando-o pela idéia de que a unidade rítmica é o núcleo do verso, ou seja, a composição do texto poético pauta-se na cadência e fluência do ritmo articulado às imagens produzidas, e não apenas na contagem das sílabas. Eis porque o autor esclarece que o método de associação poética dos modernistas é a sinestesia. “Correspondência entre música e cores, ritmo e idéias, mundo de sensações que rimam com realidades invisíveis” (p. 112).
Roberta Villa
por Fabiano Fernandes Garcez
Você conhece aquela anedota do rapaz que passeava próximo ao estádio do Morumbi e viu que um Pit Bull iria atacar uma criança, então um homem aparece e mata o animal, salvando a garotinha. O rapaz, comovido com a cena, se identifica como jornalista e diz que colocaria a seguinte manchete em seu jornal: São paulino salva garota indefesa de animal feroz! O homem agradece, porém diz que não é são paulino e sim corintiano, no dia seguinte a manchete é: Corintiano assassina animal de estimação!
O interessante da piada, além da brincadeira com o clichê futebolístico e preconceituoso, é a reflexão que podemos tirar das manchetes, afinal, nenhuma delas é mentira. O Pit Bull é feroz e também é um animal de estimação, porém ao escolher determinadas palavras o autor do texto acaba por revelar um determinado juízo de valor, ou seja, o fato não foi fabricado, como acontece com muitos fatos no campo do jornalismo esportivo, no entanto a forma de transmissão desse fato foi manipulada. Nenhuma escolha semântica passa incólume, cada palavra que usamos a escolhemos para servir às nossas convicções, ideais, ideologias e, principalmente, interesses.
Nestes últimos dias, período de eleição, podemos notar que as grandes instituições jornalísticas —rádios, TVs, sites e jornais—, estão preocupadíssimas em eleger seus candidatos preferidos, —é necessário dizer que a maioria prefere o mesmo candidato? Jornalistas, articulistas, colunistas, cronistas publicam em seus espaços tentativas de justificar suas escolhas eleitoreiras ou seria a tentativa de induzir o leitor? É como escolher um dos termos animal feroz ou de estimação e depois apresentar justificativas para isso.
Alguns argumentos utilizados por esses jornalistas é o fim da liberdade de imprensa, porém muitos se esquecem que o fim da liberdade de imprensa começa dentro da própria imprensa, vide o caso, mais recente, da colunista Maria Rita Kell que foi demitida por defender o Bolsa Família em sua coluna no Estado de São Paulo, outro foi a saída do jornalista Heródoto Barbeiro do comando do programa Roda Viva, da TV Cultura, por fazer uma pergunta ao candidato José Serra sobre os caríssimos pedágios das estradas paulistas, ainda na TV Cultura existe outro caso, mais antigo, a jornalista Salete Lemos foi demitida por justa causa do jornal noturno da emissora por criticar as tarifas ilícitas cobradas pelos maiores Bancos brasileiros. Há alguns meses conversando com um jovem jornalista, jovem no sentido estrito da palavra, sem a atribuição de um valor negativo como: imaturo ou inseguro, me confidenciou que duas de suas matérias foram recusadas por seu editor, uma delas, sobre problemas de uma escola estadual, porém ele conseguiria atribuir o problema, não me lembro qual era, a União, a outra não poderia ser publicada por falar mal de “nosso patrão”, o governo do Estado de São Paulo.
No dia 27/10/2010, vi a capa do jornal O Estado de São Paulo e não havia nenhuma manchete sobre o escândalo da vez: A paralisação das obras do metrô de São Paulo por denúncias de fraude na licitação da linha Lilás. O que isso prova? Que a imprensa vive sobre a ditadura ideológica de cada jornal ou emissora ou até mesmo da instituição patrocinadora desses veículos, só um exemplo o contrato do Governo de São Paulo com o Grupo Abril é de R$ 3,7 milhões. Resta saber se que ouvimos, lemos ou vemos são realmente opiniões de seus autores ou é apenas a ordem dos donos dessas instituições, porque sabemos que caso discordem não se manterão no emprego.
O jornalista Heródoto Barbeiro quando entrevistado, disse que a função da imprensa é ser neutra, porque ninguém é imparcial, pois, segundo ele, somos humanos e temos opiniões e convicções. Será que a imprensa de hoje é mesmo neutra ou está mais para cabo eleitoral?
O leitor atento e crítico tem ferramentas para diferenciar cada caso, no entanto de todos os leitores do Brasil, quantos são atentos e críticos?
Infelizmente hoje a grande mídia reflete o bipartidarismo da cena política brasileira. Político com rabo preso é encontrado aos montes, não que isso seja natural, não é, mas menos natural ainda é jornalista com rabo preso. Tenho que fazer justiça aos pequenos diários de bairro e sites independentes onde a neutralidade ainda existe e é perceptível, diante disso surge a questão nas grandes instituições jornalísticas há liberdade de imprensa?
Obs.: Todos os dados mencionados aqui são facilmente encontrados em uma rápida procura em sites busca ou de vídeos, exceto, é claro, o que contei por ter vivido ou ouvido, não mencionei nomes por colocar em risco o emprego de terceiros.
O poeta Guarulhense Fabiano Fernandes Garcez autografará seu livro Diálogos que ainda restam na Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá.
O Senac Guaratinguetá promove, entre 18 e 22 de outubro, a 8ª edição da Feira Itinerante de Troca de Livros, evento gratuito que percorre anualmente as unidades da rede Senac São Paulo com o objetivo de disseminar o universo da leitura nas comunidades por onde passa.
Durante o evento, alunos, professores e frequentadores da biblioteca do Senac Guaratinguetá poderão trocar obras que já leram por outro título disponível. As trocas serão realizadas das 9 às 21 horas. A unidade também receberá doações de livros, gibis e revistas.
Desse modo, reciclam-se materiais de leitura, fomentando a difusão de informações, com obras que passam pelas mãos de quem geralmente não tem oportunidade de adquiri-las pela compra. Os materiais devem estar em perfeito estado de conservação – critério válido tanto para trocas quanto para doações. Livros de didáticos e de cunho religioso e político não serão permitidos.
Além disso, a unidade receberá livros novos, como publicações da Editora Senac São Paulo, que serão comercializados com 30% de desconto no local, e contará com uma programação cultural diferenciada.
Informações pelo telefone (12) 2131-6300 ou pessoalmente na recepção do Senac que fica na avenida Doutor João Baptista Rangel de Camargo, nº 50, Centro
Programação
18 de outubro
19h30 – Abertura com apresentação do Sarau Cênico realizado pelo Grupo Dell`arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras
20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis: uns braços
21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, da Editora Multifoco
19 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com autores de Cachoeira Paulista. Livros Acontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão expostas durante o evento
20h30 – Palestra Literatura x Tecnologia, com o professor Jurandir Rodrigues
20 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com a autora mirim Sofia Helena Lourenço Barbosa (Aparecida). Livro Palavra de Criança.
20 horas – Sessão de autógrafos com os poetas guaratinguetaenses Tonho França (livro O Bebedor de Auroras) e Dora Vilela (Bordados do Avesso)
20h50 – Palestra Revisão: linhas e caminhos, com o professor e poeta Adams Alpes
21 de outubro
19 horas – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida e autor do livro Aquém do Lago Azul
20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e Outros Versos, de Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo Ser Breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida)
22 de outubro
19 horas – Oficina Poesia Não!, ministrada pelo professor Clebber Bianchi
20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À Medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que Ainda Restam (Guarulhos)
21 horas – Ciranda de poesia com os poetas da Editora Multifoco
22 horas – Encerramento com novo sorteio de livros