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Posted: segunda-feira, 30 de abril de 2012 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:


As várias artes poéticas contemporâneas

Posted: segunda-feira, 18 de abril de 2011 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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http://www.revistazunai.com/ensaios/fabiano_fernandes_garcez_variasartespoeticas.htm



Discorrer sobre a produção poética contemporânea não é uma tarefa fácil. Dessa maneira, discorrer sobre a produção poética contemporânea, sem incorrer em erro, de qualquer espécie, é uma tarefa árdua.
É quase impossível tentar “mapear” a poética contemporânea. Primeiro, devido ao grande número de poetas brasileiros, que, sobretudo após a internet, torna, a cada dia, a tarefa mais difícil; no entanto, alguns poetas ganham destaque nos meios de comunicação, na crítica ou na própria internet. Segundo, porque é extremamente difícil fazer uma análise de qualquer estrato do tempo em que estamos inseridos.
Neste texto, tentarei apresentar os diversos tipos de poéticas existentes, mas não citarei nenhum poeta como representante, porque cada um carrega uma enorme palheta de diferentes influências, pois não é o objetivo do texto criar rótulos literários para a poesia contemporânea. Assim, prefiro fazer uma breve análise das várias tendências poéticas ou, como gostam alguns críticos, famílias poéticas, uma vez que essa separação, ou aglutinação de poeticidades, pode ser, no mínimo, enganosa, pois são raros os poetas que se mantêm em apenas um estilo de texto.
Com isso, sem muitas idas e vindas, chamaremos de contemporânea toda a produção de poetas que publicaram após os anos de 1945 do século passado. Dessa forma, antes de apresentar esses estilos ou famílias poéticas, vejamos algumas definições do mais cultuado e conceituado crítico brasileiro, Antonio Cândido, que, em seu livro O estudo analítico do poema, define o emprego da palavra como imagem ou símbolo.
A base de toda imagem, metáfora, alegoria ou símbolo é a analogia, isto é, a semelhança entre coisas diferentes. E aqui encontramos, no plano dos significados, um problema que já encontráramos no plano das sonoridades como sinestesia: o da correspondência. Com base na possibilidade de estabelecer analogias o poeta cria a sua linguagem, oscilando entre a afirmação direta e o símbolo hermético. Raramente o poema é feito apenas com um ou outro destes ingredientes polares, e na sequência dos versos somos capazes de notar a gradação que os separa. Muitas vezes, o elemento simbólico não está na peculiaridade das palavras, ou na sequência de imagens, mas no efeito final do poema tomado em bloco. E em tudo observamos a capacidade peculiar de sentir e manipular palavras. (Cândido, 1993).

Assim, tendo como base a figuração das palavras, Antonio Cândido aponta três tipos de poemas. Para o primeiro tipo, o poeta usa todas as palavras em seu sentido próprio, mas a combinação dessas palavras cria um conceito figurado.
Pode, mesmo, dar-se o caso de o poeta não usar uma só palavra figurada, mas combinar de tal modo as palavras em sentido próprio, que elas se ordenam como um conceito figurado, uma realidade diversa do que as palavras exprimem em sentido próprio. [...] O sentido geral do poema é figurado, talvez um símbolo, enquanto o sentido de cada palavra é próprio. (Cândido, 1993).


O segundo tipo, é o que traz a maioria das palavras em sentido figurado, sendo usadas como imagens ou símbolos. Entretanto, mesmo as que estão em seu sentido próprio ganham valor de imagens simbólicas. Assim, todos esses símbolos são partes de um todo no poema.
Outro caso é o dos poemas em que praticamente todas as palavras são figuradas, embora umas se apresentem como tais, outras não. São usadas de modo que, mesmo sem parecerem imagens, sofrem uma alteração de significado, que vai resultar na alteração geral mencionada nos casos anteriores. […] Os demais apresentam realidades não figuradas, mas próprias. No entanto, a direção de mistério que orienta o poema faz com que cada palavra pareça figurada. O sentido figurado geral já esta prefigurado nestas palavras usadas como imagens sem o serem propriamente, pois todas são provavelmente símbolos. (Cândido, 1993).


Logo, Cândido define a alegoria desta maneira:
[...] alegoria, isto é, num tipo de linguagem figurada que, por meio da sequência das imagens, ou dos conceitos, resulta numa distorção geral do sentido. (Cândido, 1993).


Além desses dois tipos de poemas, Antonio Cândido chama a atenção para um terceiro: aquele que traz em cada palavra, ou verso, um sentido figurado, mas o poema, como um todo, é claro e explícito.
[...] temos um processo comum na poesia, que consiste em organizar logicamente, racionalmente, um pensamento poético que em si é ilógico, pois está baseado na alteração dos significados normais das palavras. Resulta ao mesmo tempo, no fim do poema, um sentido geral claro e expressivo, e um sentido figurado em cada parte, ambos colaborando para o efeito poético total. (Cândido, 1993).

Dessa maneira, nem é apenas de metáforas que se faz um poema. Com isso, Ezra Pound (1934-1972) indica três procedimentos básicos para sua criação:
1)      Melopeia: musicalidade dos versos a partir dos recursos sonoros e fonéticos, como o ritmo do poema, a aliteração, assonância, entre outros;
2)      Fanopeia: a criação de imagens por meio das palavras dos versos; é o apelo à imaginação visual do leitor;
3)      Logopoeia: é a criação da mensagem do poema; recursos linguísticos intelectuais ou emocionais.
Portanto, para a produção poética requer-se a manipulação da linguagem, e é por meio de recursos linguísticos do significante (palavra) e do significado (ideia) que o poeta cria, ou recria, o seu mundo, dialogando com ele. Assim, Décio Pignatari afirma que o poema é um ser de linguagem.
O poema é um ser de linguagem. O poeta faz linguagem, fazendo poema. Está sempre criando e recriando a linguagem. Vale dizer: está sempre criando o mundo. Para ele, a linguagem é um ser vivo, O poeta é radical (do latim, radix, radicis = raiz): ele trabalha as raízes da linguagem. Com isso, o mundo da linguagem e a linguagem do mundo ganham troncos, ramos, flores e frutos. É por isso que um poema parece falar de tudo e de nada, ao mesmo tempo. É por isso que um (bom) poema não se esgota: ele cria modelos de sensibilidade. É por isso que um poema, sendo um ser concreto de linguagem, parece o mais abstrato dos seres. É por isso que um poema é criação pura — por mais impura que seja. É como uma pessoa, ou como a vida: por melhor que você a explique, a explicação nunca pode substituí-la. É como uma pessoa que diz sempre que quer ser compreendida. Mas o que ela quer mesmo é ser amada. (Pignatari, 2004).

Entretanto, esse diálogo nem sempre é harmônico. Sobre isso, Roman Jakobson afirma:
A poesia vive em conflito com o tempo e o pensamento e manifesta essa tensão na linguagem, construção estética que dialoga com a história, pessoal e coletiva, ao mesmo tempo em que afirma sua própria identidade como artefato artístico [...] (Toledo, 1971).

Dessa forma, é essa construção estética que interessa ao nosso estudo. Se a poesia vive em conflito com tempo e o pensamento, como afirma Jakobson, de que forma a poesia brasileira sobrevive em uma sociedade capitalista de consumo? Sociedade esta que torna o homem anônimo, mais um em uma grande massa de manobra do sistema de capital. E esse homem está sem voz. A poesia tenta restaurar, nesse homem, a sua individualidade. Talvez seja por isso o visível aumento das publicações de poesia, por pequenas ou médias editoras; edições financiadas pelo próprio autor; suplementos; periódicos; e até mesmo publicações em vários formatos nos meios virtuais.
Sobre essa produção poética contemporânea, o crítico Manuel da Costa Pinto afirma haver duas vertentes:
Existem duas ideias sobre a poesia brasileira que são consensuais, a ponto de terem virado lugares-comuns. A primeira diz que um de seus traços dominantes é o diálogo cerrado com a tradição. Mas não qualquer tradição. O marco zero, por assim dizer, seria a poesia que emergiu com a Semana de Arte Moderna de 22. A segunda ideia, decorrente da primeira, é que essa linhagem modernista se bifurca em dois eixos principais: uma vertente mais lírica, subjetiva, articulada em torno de Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; e outra mais objetiva, experimental, formalista, representada por Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto e a poesia concreta. (Pinto, 2004).

O jornalista e poeta Rodrigo Garcia Lopes, em seu artigo “Muito além da academídia: Poesia brasileira hoje”, publicado na revista Coyote, fez severas críticas aos critérios adotados por Manuel da Costa Pinto:
A presença de uma palavra como "consenso", logo na segunda linha de um livro que promete mostrar "a diversidade da nossa história poética e ficcional" (p. 10) é no mínimo perigosa. Como vimos com Noam Chomsky, o conceito de consenso, nas sociedades democráticas, é manufaturado, escamoteado, quase sempre para favorecer instituições (fundações, universidades, imprensa, academias, editoras) e os interesses dos grupos dominantes e hegemônicos da sociedade. A fabricação desse consenso se dá todos os dias, e a mídia é quem cuida disso, através de fórmulas prontas e muitas vezes subliminares. É a lógica do mercado interferindo na mente dos cidadãos. Ideias não são consensuais. São um campo de batalha. A poesia não pode ser consensual, pois sua prática, idealmente, é ser não conformista. (Lopes, 2005).

Mais adiante, o doutor em literatura, Fábio Cavalcante de Andrade, estabelece quatro tendências:
1. Poesia Marginal, surgida como resposta direta ao clima opressivo do regime militar, buscando espontaneidade e o retratismo do cotidiano político;
2. Poesia Visual, herdeira e continuadora de determinados procedimentos do concretismo, bem como de outras vanguardas;
3. Poesia de Renovação das formas tradicionais e do cotidiano, indicando obliquamente uma forte presença de poéticas como as de Drummond e Manuel Bandeira, mas onde também se pode encontrar certo classicismo;
4. Poesia Hermética, acrescentando ao cânone brasileiro uma série de poetas difíceis, obscuros, apresentando ainda grande parentesco com valores da alta modernidade. (Andrade, 2008).

Portanto, é sobre essas quatro tendências que tentarei discorrer, mesmo sabendo que toda e qualquer classificação é arbitrária e provisória, porém necessária para uma tentativa de mapear as várias linhas ou estilos da poética contemporânea.

Poesia Marginal
A poética denominada Marginal, também conhecida como geração mimeógrafo, nasceu nas décadas de 1970 e 1980, anos da ditadura militar. É uma poética engajada, rebelde e revolucionária, sem preocupações estéticas e de acentuada informalidade. Essa poética também é marcada pelos recortes do cotidiano. Heloísa Buarque de Hollanda, na antologia Esses Poetas, primeiro registro dessa poética, acaba inserindo a poética surrealista paulistana pautada pelo registro espontâneo às experiências com a escrita automática. Os poetas marginais participavam de todo o processo do livro, da criação, manufatura e venda. A este respeito, no prefácio da coletânea da segunda edição, Heloísa escreve:

Frente ao bloqueio sistemático das editoras, um circuito paralelo de produção e distribuição independente vai se formando e conquistando um público jovem que não se confunde com o antigo leitor de poesia. Planejadas ou realizadas em colaboração direta com o autor, as edições apresentam uma face charmosa, afetiva e, portanto, particularmente funcional. Por outro lado, a participação do autor nas diversas etapas da produção e distribuição do livro determina, sem dúvida, um produto gráfico integrado, de imagem pessoalizada, o que sugere e ativa uma situação mais próxima do diálogo do que a oferecida comumente na relação de compra e venda, tal como se realiza no âmbito editorial. A esse propósito, convém lembrar a tão frequente presença do autor no ato da venda o que de certa forma recupera para a literatura o sentido de relação humana. (Hollanda, 1998).

Poesia Visual
Essa poética é herdeira da vanguarda concretista, mais principalmente do poeta francês Mallarmé, e próxima das artes plásticas e dos meios tecnológicos. Faz a união entre a cultura pop, de massa, com a publicidade, a música, sobretudo o videoclipe. Poética que utiliza a escrita como elementos gráficos, além de outros recursos visuais, como as colagens, os grafismos e os diferentes alfabetos. Segundo o crítico e poeta Claudio Daniel, em seu artigo, “Pensando a Poesia Brasileira em Cinco Atos”, publicado na revista paranaense Coyote, é uma linguagem de futuro promissor, devido ao avanço tecnológico.
É possível supor que, dentro de uma ou duas décadas, as novas gerações possam unir o conhecimento dos livros com o manejo tecnológico, tendo condições ideais para desenvolverem poemas interativos, aprofundando as propostas das vanguardas históricas. Será essa, porém, a única via para a experimentação poética? Ou é possível prosseguir com o ideal de invenção no poema-texto? (Daniel, 2005).

Poesia de Renovação das formas tradicionais e do cotidiano
Conforme descrito por Manuel da Costa Pinto, essa poesia está ligada ao cânone modernista, principalmente a dupla Bandeira e Drummond; é de uma vertente mais lírica e subjetiva da experiência da vida comum e cotidiana, também marcada por uma forte intertextualidade, e apresenta várias formas: a fixa (sonetos, odes etc.) ou a livre. É conhecida por geração 60, mesmo que alguns de seus representantes tenham publicado antes ou depois. Sobre essa vertente, Fábio Cavalcante afirma:
Na geração de 60 é possível reconhecê-los, aqueles que cultivaram o lirismo, através de formas fixas ou livres, ressaltando ou ocultando o sujeito lírico, e mantendo a experiência humana como fonte fundamental de suas inquietações e órbita incontornável do poema. Do ponto de vista técnico, apresentam diversidade e facilidade de locomoção entre registros formais diferentes. Do soneto a uma canção, dos versos livres à criação de novas formas fixas. Em todos, porém, sente-se a proximidade de uma experiência vital de vida, que não desaparece no formalismo de vanguarda nem na facilidade da expressão espontânea. Nem o fetiche da inovação nem a suposta liberdade do engajamento. São poetas responsáveis pela manutenção, ao longo de três décadas, do terreno literário, protegendo-o contra a infertilidade na qual muitos marginais caíram, e contra as experiências malogradas da vanguarda mais radical. (Andrade, 2008).


Poesia Hermética
Essa poética é chamada de hermética por apresentar uma linguagem elaborada, sem articulação léxica, por vezes obscura ou enigmática. Com isso, Fábio Cavalcante afirma:
O Hermetismo poético é senão a principal, uma das principais formas da expressividade moderna, uma espécie de platonismo às avessas: quanto mais distante do retratismo, da mera cópia da realidade, mais verdadeiro aos olhos dos poetas. (Andrade, 2008).


Essa poética ganha força a partir dos anos 1990. É herdeira de várias fases do Modernismo, principalmente das mais radicais e experimentais, como a poesia concreta; dos poetas João Cabral de Melo Neto e Murilo Mendes; dos poetas marginais; e também das culturas primitivas, orientais, bem como da cultura pop. Claudio Daniel, em seu artigo “Uma escritura na zona de sombra”, afirma:
A diversidade de linhas de pesquisa e processos de criação, signo dinâmico da nova poesia, requer não o estático, mas o mutável, sem a hegemonia de uma única concepção, e aponta ainda em outras direções luminosas. O tempo exige poéticas em mandala, arco-íris, cauda de pavão, e desencasula formas e cores como um tapete marroquino [...].
Os poetas atuais não comungam de um mesmo credo, mas têm como princípio básico a noção do poema como um elaborado artefato de linguagem — e não apenas isso. O meticuloso artesanato das palavras soma-se à investigação de novos repertórios simbólicos e culturais do Ocidente e do Oriente, da escritura e de outros códigos de expressão, de um passado remoto ou da atualidade — como resistência. (Daniel, 2000).


O poeta e ensaísta continua sua afirmação e, em seu artigo “Geração 90: uma pluralidade de poéticas possíveis”, divide essa poética em quatro grupos. São eles:
Neobarroco – A poética da “pérola irregular”
De elevado grau de elaboração de linguagem algumas similaridades formais, como o uso da metáfora, a riqueza imagética, as referências à pintura, à fotografia e ao cinema, o vocabulário erudito e a sintaxe fraturada, que não elimina o discurso, mas o redimensiona de maneira inventiva. São poemas que se afastam da espacialização gráfica e da fragmentação léxica do concretismo e também da linguagem coloquial e prosaica da “geração mimeógrafo”, aproximando-se de uma construção mais hermética ou barroquizante que exige do leitor uma cumplicidade de repertório e uma não menos árdua estratégia de leitura. O verso não é abolido, mas reconstruído para além da camisa-de-força da métrica e das facilidades oferecidas pelo verso livre, abrindo um campo de experimentação para a poesia enquanto elaboração verbal.

Minimalismo – A poética da arquitetura concentrada
A construção poética concisa, fragmentária, que condensa os recursos da linguagem e se choca com violência contra a sintaxe discursiva e a própria noção de verso define a tendência minimalista. O principal recurso estilístico utilizado por essa tendência é a metonímia, aliada à elipse, embora apareçam também metáforas de sabor surrealizante, que derivam dos tender buttons de Gertrude Stein. A esse respeito, Manuel da Costa Pinto fala em “justaposição de frases nominais, refratárias às correlações lógicas”, e ainda de uma “língua desconexa”.

A poética do formalismo informal
Incorpora elementos implícitos do cinema em suas próprias estruturas — cortes, fusões, sequências, closes, flashbacks, silêncios, ruídos (idem). A influência do cinema, da música popular, da filosofia oriental, da mitologia beat e das histórias em quadrinhos é visível. São poetas que mesclam referências cultas às linguagens da comunicação de massa, explorando também o imaginário e as formas estéticas de culturas não ocidentais, como os mitos indígenas e a poesia chinesa e japonesa. O resultado desse sincretismo é uma poesia de dicção coloquial, melódica e fluente, com o uso eventual de rimas, aliterações e do verso longo, próximo à prosa, mas sem desprezar o uso espacial das linhas na página. A imagem é um elemento importante para a articulação do seu pensamento, com o uso de closes e cortes metonímicos para a descrição de cenários da natureza.

Etnopoesia – A poética da miscigenação transistórica

A recriação de formas poéticas de culturas antigas e não ocidentais, como o oriki africano, o sijô coreano ou os cantos xamânicos de tribos esquimós corresponde a uma tendência conhecida como etnopoesia.  (Daniel, 2008).


Portanto, esta análise tem como propósito apresentar algumas das possibilidades poéticas contemporâneas, porém sabendo de sua pluralidade criativa, e que essas possibilidades são e estão vivas, crescendo, metamorfoseando e frutificando-se, impossível de alocar-se em prateleiras estáticas reducionistas.





Referências



ABAURRE, Maria Luiza Marques. “Como ler um poema?” In: ABAURRE, Maria Luiza Marques; PONTARA, Marcela.  Literatura Brasileira: tempos, leitores e leitura. São Paulo: Moderna, 2006.

ALEXANDRE, Alberto. Tentativa de Pôr Ordem na Casa. MASSI, Augusto (org.). Artes e Ofícios da Poesia. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1991, pp. 24-25.

ANDRADE, Fábio Cavalcante. A transparência impossível: lírica e hermetismo na poesia brasileira atual / Fábio Cavalcante de Andrade. – Recife: O Autor, 2008. 331 folhas: ilustrado, quadro.

ANTUNES, Arnaldo. “Prefácio para o livro ‘Não’, de Augusto de Campos” In: CAMPOS, Augusto de. Não. São Paulo: Perspectiva.

BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1990.

CÂNDIDO, Antônio. O estudo analítico do poema. São Paulo: FFLCH-USP, 1993. (Terceira leitura, 2).

DANIEL, Claudio. “Geração 90: uma pluralidade de poéticas possíveis”. In: Protocolos críticos. São Paulo: Iluminuras / Itaú Cultural, 2008.

DANIEL, Claudio. “Pensando a Poesia Brasileira em Cinco Atos”. Revista Coyote, Londrina, n° 13, pp. 48-51. 2005.

DANIEL, Cláudio. “Uma escritura na zona de sombra”. Babel. Revista de poesia, tradução e crítica, nº 3, set.-dez. 2000.

OLIVEIRA, Solange Ribeiro de. “Do poema ao vídeo e à instalação: o poético nas artes contemporâneas”.

Esses Poetas – uma antologia dos anos 90, (organização), p. 318. Aeroplano Editora, RJ, 1998.

ESTEBAN, Claude. Critica da Tazfio poética. Trad. Paulo Azevedo Neves da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

FERREIRA, Valéria Rosito. “Poesia contemporânea em Arnaldo Antunes: ventando as palavras, alforriando as coisas”.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. 26 Poetas Hoje, (organização, 2ª edição) RJ, Aeroplano Editora, p. 270. RJ, 1998.
___________.__________________. Esses Poetas – uma antologia dos anos 90, (organização), p. 318. Aeroplano Editora, RJ, 1998.

JAKOBSON, R. e TYNIANOV, J. “Os problemas dos estudos literários e linguísticos”. In: TOLEDO, Dionísio de Oliveira. (org.). Teoria da literatura — formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1971.

LOPES, Rodrigo Garcia. “Muito Além da Academídia: Poesia Brasileira Hoje”. Revista Coyote, Londrina, n° 12, pp.48-51. 2005.

PIGNATARI, Décio. O que é comunicação poética. São Paulo, Ateliê Editorial, 2004.

PINTO, Manuel da Costa. Literatura brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2004.

SISCAR, Marcos. “A cisma da poesia brasileira”. In: Sibila. ano 5: n° 8-9: 2005, pp. 41- 60. São Paulo.

“Terça-Nada, Marcelo”. Livro Objeto/Poesia Objeto!

VASCONCELOS, Maurício Salles. “Poesia Contemporânea Nacional. Reincidências e passagens. Aletria”. Revista de estudos de literatura, 6. Poesia Brasileira Contemporânea. Faculdade de Letras da UFMG, CEL, 1999, pp. 18-2

Vídeo poema: Encarte

Posted: sábado, 5 de fevereiro de 2011 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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convite de lançamento do espaço dos escritores

Posted: sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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http://www.leguarulhos.com.br/

Há liberdade da imprensa?

Posted: sexta-feira, 29 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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por Fabiano Fernandes Garcez

Você conhece aquela anedota do rapaz que passeava próximo ao estádio do Morumbi e viu que um Pit Bull iria atacar uma criança, então um homem aparece e mata o animal, salvando a garotinha. O rapaz, comovido com a cena, se identifica como jornalista e diz que colocaria a seguinte manchete em seu jornal: São paulino salva garota indefesa de animal feroz! O homem agradece, porém diz que não é são paulino e sim corintiano, no dia seguinte a manchete é: Corintiano assassina animal de estimação!

O interessante da piada, além da brincadeira com o clichê futebolístico e preconceituoso, é a reflexão que podemos tirar das manchetes, afinal, nenhuma delas é mentira. O Pit Bull é feroz e também é um animal de estimação, porém ao escolher determinadas palavras o autor do texto acaba por revelar um determinado juízo de valor, ou seja, o fato não foi fabricado, como acontece com muitos fatos no campo do jornalismo esportivo, no entanto a forma de transmissão desse fato foi manipulada. Nenhuma escolha semântica passa incólume, cada palavra que usamos a escolhemos para servir às nossas convicções, ideais, ideologias e, principalmente, interesses.

Nestes últimos dias, período de eleição, podemos notar que as grandes instituições jornalísticas —rádios, TVs, sites e jornais—, estão preocupadíssimas em eleger seus candidatos preferidos, —é necessário dizer que a maioria prefere o mesmo candidato? Jornalistas, articulistas, colunistas, cronistas publicam em seus espaços tentativas de justificar suas escolhas eleitoreiras ou seria a tentativa de induzir o leitor? É como escolher um dos termos animal feroz ou de estimação e depois apresentar justificativas para isso.

Alguns argumentos utilizados por esses jornalistas é o fim da liberdade de imprensa, porém muitos se esquecem que o fim da liberdade de imprensa começa dentro da própria imprensa, vide o caso, mais recente, da colunista Maria Rita Kell que foi demitida por defender o Bolsa Família em sua coluna no Estado de São Paulo, outro foi a saída do jornalista Heródoto Barbeiro do comando do programa Roda Viva, da TV Cultura, por fazer uma pergunta ao candidato José Serra sobre os caríssimos pedágios das estradas paulistas, ainda na TV Cultura existe outro caso, mais antigo, a jornalista Salete Lemos foi demitida por justa causa do jornal noturno da emissora por criticar as tarifas ilícitas cobradas pelos maiores Bancos brasileiros. Há alguns meses conversando com um jovem jornalista, jovem no sentido estrito da palavra, sem a atribuição de um valor negativo como: imaturo ou inseguro, me confidenciou que duas de suas matérias foram recusadas por seu editor, uma delas, sobre problemas de uma escola estadual, porém ele conseguiria atribuir o problema, não me lembro qual era, a União, a outra não poderia ser publicada por falar mal de “nosso patrão”, o governo do Estado de São Paulo.

No dia 27/10/2010, vi a capa do jornal O Estado de São Paulo e não havia nenhuma manchete sobre o escândalo da vez: A paralisação das obras do metrô de São Paulo por denúncias de fraude na licitação da linha Lilás. O que isso prova? Que a imprensa vive sobre a ditadura ideológica de cada jornal ou emissora ou até mesmo da instituição patrocinadora desses veículos, só um exemplo o contrato do Governo de São Paulo com o Grupo Abril é de R$ 3,7 milhões. Resta saber se que ouvimos, lemos ou vemos são realmente opiniões de seus autores ou é apenas a ordem dos donos dessas instituições, porque sabemos que caso discordem não se manterão no emprego.

O jornalista Heródoto Barbeiro quando entrevistado, disse que a função da imprensa é ser neutra, porque ninguém é imparcial, pois, segundo ele, somos humanos e temos opiniões e convicções. Será que a imprensa de hoje é mesmo neutra ou está mais para cabo eleitoral?

O leitor atento e crítico tem ferramentas para diferenciar cada caso, no entanto de todos os leitores do Brasil, quantos são atentos e críticos?

Infelizmente hoje a grande mídia reflete o bipartidarismo da cena política brasileira. Político com rabo preso é encontrado aos montes, não que isso seja natural, não é, mas menos natural ainda é jornalista com rabo preso. Tenho que fazer justiça aos pequenos diários de bairro e sites independentes onde a neutralidade ainda existe e é perceptível, diante disso surge a questão nas grandes instituições jornalísticas há liberdade de imprensa?

Obs.: Todos os dados mencionados aqui são facilmente encontrados em uma rápida procura em sites busca ou de vídeos, exceto, é claro, o que contei por ter vivido ou ouvido, não mencionei nomes por colocar em risco o emprego de terceiros.

Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá

Posted: terça-feira, 19 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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O poeta Guarulhense Fabiano Fernandes Garcez autografará seu livro Diálogos que ainda restam na Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá.



O Senac Guaratinguetá promove, entre 18 e 22 de outubro, a 8ª edição da Feira Itinerante de Troca de Livros, evento gratuito que percorre anualmente as unidades da rede Senac São Paulo com o objetivo de disseminar o universo da leitura nas comunidades por onde passa.

Durante o evento, alunos, professores e frequentadores da biblioteca do Senac Guaratinguetá poderão trocar obras que já leram por outro título disponível. As trocas serão realizadas das 9 às 21 horas. A unidade também receberá doações de livros, gibis e revistas.

Desse modo, reciclam-se materiais de leitura, fomentando a difusão de informações, com obras que passam pelas mãos de quem geralmente não tem oportunidade de adquiri-las pela compra. Os materiais devem estar em perfeito estado de conservação – critério válido tanto para trocas quanto para doações. Livros de didáticos e de cunho religioso e político não serão permitidos.

Além disso, a unidade receberá livros novos, como publicações da Editora Senac São Paulo, que serão comercializados com 30% de desconto no local, e contará com uma programação cultural diferenciada.

Informações pelo telefone (12) 2131-6300 ou pessoalmente na recepção do Senac que fica na avenida Doutor João Baptista Rangel de Camargo, nº 50, Centro

Programação

18 de outubro
19h30 – Abertura com apresentação do Sarau Cênico realizado pelo Grupo Dell`arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras
20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis: uns braços
21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, da Editora Multifoco

19 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com autores de Cachoeira Paulista. Livros Acontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão expostas durante o evento
20h30 – Palestra Literatura x Tecnologia, com o professor Jurandir Rodrigues

20 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com a autora mirim Sofia Helena Lourenço Barbosa (Aparecida). Livro Palavra de Criança.
20 horas – Sessão de autógrafos com os poetas guaratinguetaenses Tonho França (livro O Bebedor de Auroras) e Dora Vilela (Bordados do Avesso)
20h50 – Palestra Revisão: linhas e caminhos, com o professor e poeta Adams Alpes

21 de outubro
19 horas – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida e autor do livro Aquém do Lago Azul
20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e Outros Versos, de Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo Ser Breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida)

22 de outubro
19 horas – Oficina Poesia Não!, ministrada pelo professor Clebber Bianchi
20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À Medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que Ainda Restam (Guarulhos)
21 horas – Ciranda de poesia com os poetas da Editora Multifoco
22 horas – Encerramento com novo sorteio de livros

21º Bienal do livro de São Paulo

Posted: terça-feira, 10 de agosto de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Para Piva

Posted: domingo, 4 de julho de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Ah! Menino-demônio
Anjo-velhaco
Pegaste o elevador fantástico
para pousar na brilhante neve infernal

Esporra essa metralhadora giratória de impropérios
em minha boca torta
em meu ouvido invisível
em meus orifícios violados
em meus poros pudicos
para que junto de ti e ao sol roxo de vergonha
eu deixe distanciar minha inocência
em mais um tapete voador

16° Encontro Cultural Dona Eta

Posted: domingo, 2 de maio de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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O 16° Encontro Cultural Dona Eta cumpre seu objetivo de levar à comunidade atividades lítero-artístico-pictórico-culturais e espera satisfazer a expectativa de todos os amigos e apreciadores que têm prestigiado o evento ao longo desses 15 anos.

Dia 1°, 8, 15, 22, 29 - sábado – 17 horas – Rádio Clube – Dona Eta, Música e Poesia – Programa Valdemir Barbosa – Memória do Som

Dia 3 - 2ª.feira - 20 h 30 min – Espaço Lucy Menezes – Rua Bartolomeu Bueno, 218
Bordados e pedrarias – (2ª. Fase) e Dança Oriental Árabe

Dia 5 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Espaço CULTrURAL – Km.4 da Estrada da Pedrinha, ao lado do Pesqueiro Tambaqui – Sarau dirigido por Marisa Papa, com a presença dos convidados Levi e Tereza, Lico, Johni e outros
Ana Cecília Pará Láua autografará seu livro “Um todo sentimental”.

Dia 7 - 6ª. feira – 20 h 30 min - SENAC - Av. João Batista Rangel de Camargo, 50 - “Há tempos...” - Exposição de Fotos de Sila Maria e Pinturas (Aquarela e “Needle Felting”) de Beth Aragão - Apresentação da Cia de Eventos! CABARET CARMEN(*) e Noite de Autógrafos dos poetas Clebber Bianchi (Taubaté), Fabiano Garcez (Guarulhos), Jurandir Rodrigues (Cachoeira Paulista) e Paulo Franco (Ribeirão Pires), com apresentação do Selo Editorial “Vale em Poesia”.

Dia 8 – Sábado – 20 h 30 min – Auditório do São Joaquim - Rua Dom Bosco, 284 – Centro - Lorena
Dança : “Espaço Expressão” – Escola de Dança e Teatro – Com direção de Layla Mulinari, o Espaço Expressão , de Lorena, apresenta seus trabalhos de 2010, envolvendo suas pesquisas em jazz, dança contemporânea, hip-hop, balé clássico, dentre outros!
(Apoio da Prefeitura Municipal de Lorena através da
Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 9 – Dia das Mães – Domingo – 20 horas – Praça Dr. Arnolfo de Azevedo, em LORENA
Talita Moura & Guto Dominguez (Clarinete e violão, professores do Projeto Guri) e
Grupo de Metais da Casa de Cultura de Lorena ( sob a regência do Maestro Washington de Oliveira Souza).
(Espetáculo oferecido pela Prefeitura Municipal de Lorena através da Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 10 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Museu Frei Galvão – Praça Conselheiro Rodrigues Alves – Exposição - Óleo sobre chapa -Aglaé Moraes Quissak Pereira – “Retratos e Flores” – Óleo sobre tela- Denise Nozaki (Dize Nozaki) – “Canção do Coração” e Hilton Antunes Fernandes – “Casarios”, com a participação especial do pintor Mário Lourenço Fernandes (9 anos).

Dia 12 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Catedral de Santo Antônio – Banda Militar do 5º BIL de Lorena, Coral Maria de Nazareth de Lorena e Coral Apparecendo de Aparecida
Convidados especiais: Bianca Côbbo, 17 anos, soprano, de São João Del Rey; Nair Antunes Cavaterra, Cecília Simas e Maestro e Tenente Jairo Ávila.

Dia 14 – 6ª. feira – 20 h 30 min – CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade “Terra das Garças” - Rua Júlio Soares Nogueira, 110 - Coral Unicanto, sob a regência da Maestrina Cecília Simas, com a participação de Carlinhos (Violão)

Dia 15 – Sábado – 20 h 30 min – Igreja de São Pedro (Nova Guará) – Apresentação do Coral Vozes do Forte (Composto pelo Contingente de Militares do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana) – Coordenação Geral do 2° Sargento Antonio Marcos e Regência do Professor Fabiano Martins.

Dia 16 – Domingo – 18 horas – Casa de Repouso Santa Isabel – Rua Tamandaré, 451 – Tarde da Saudade - Fon Cipolli e Luiz Carlos Lucafe e Dança pelo Grupo da Melhor Idade Pega Leve, dirigida por Magda Honda (Projeto Sefras-Serviço Franciscano de Solidariedade).

Dia 17 – 2a. feira – 17 horas – Cemitério Senhor dos Passos – Seresteiros e Coral daFaculdade de Engenharia de Guaratinguetá/UNESP

Dia 18 – 3ª. feira - 16 horas – Creche Chico Xavier - Rua Benjamin Constant, 140 – Projeto Piracema – Terapia do Riso

Dia 19 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Nossa Senhora das Graças – Rua Vigário Martiniano, 288 – Apresentação dos Corais - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá / UNESP, Faculdade de Odontologia de São José dos Campos / UNESP e Libercanto, regidos pela Maestrina Sandra Sampaio. Participação do Quarteto de Cordas - Profs. José Otávio Salvador Lemes Silva (violino), Elizeu Moreira (violino), Denis Rangel (viola) e Fábio Gomes (violoncelo)

Dia 21 – 6ª. feira – 20 h 30 min – Mercure – Av. Dr. Carlos Rebello Júnior, 341 - Exposição de Fotos – “Paisagens Brasileiras” – Eduardo Issa

Dia 24 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Santa Rita – Praça Santa Rita - Dona Eta, Música, Poesia e Pintura – Música com nomes de mulheres, interpretadas por Letícia e Lílian Pará, Poesias de Tonho França e trabalhos de artistas plásticos, com a participação especial da pintora Maíra Bazzarelli Monteiro dos Santos, 15 anos, vencedora do Concurso de Poesia Sítio do Juca 2009.

Dia 25 – 3ª. feira – 20 h 30 min – Organização Guará de Ensino – Av. Pedro de Toledo, 195 - Banda Sinfônica da Escola de Especialista de Aeronáutica

Dia 26 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Associação Agro-Pecuária – Praça Santo Antônio
Trio Flávio Augusto, Crilza e Cori - “Eta Rosa de Maio!”

Dia 27 – 5ª. feira - 20 h 30 min - SOS – Rua Dona Nenê Figueiredo, 81 – Campo do Galvão - Palestra do Dr. Celso Zymon – Viver naturalmente saudável – Transforme a sua vida e seja feliz.

Dia 28 – 6ª. feira – 20 h 30 min - Casa do Puríssimo Coração de Maria – Av. João Pessoa, 677 – Pedregulho- Grupo de Teatro UNATI-UNESP , apresenta a Peça - Amor de Dom Perlimplin com Belisa em seu jardim, de Federico Garcia Lorca. Direção:Thaís Costa Fróis. Orientação: Heitor Saraiva, do Projeto Ademar Guerra, da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo.

Dia 29 – Sábado – Do meio-dia às 20 horas – 1ª. Feira de Artes Natural Vegan / Sítio do Juca – Comemoração do 1° Ano do Natural Vegan - Praça Homero Ottoni – Banda BlackTie Brazilian Jazz, Seresteiros de Guaratinguetá, Nair Antunes Cavaterra e a dupla Levi e Tereza.

Dia 30 – Domingo – 18 horas – Itaguará Country Clube, Praça 13 de Maio – ENCERRAMENTO - “Estação de Dança”, sob a direção da Profa. Rosana Rangel, apresentando: Dança de Salão, Dança de Rua, Dança do Ventre, Jazz Juvenil e Sapateado.

Vídeo do lançamento de Diálogos que ainda restam

Posted: domingo, 14 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Convite:

Posted: quarta-feira, 3 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Os diálogos que ainda restam

Posted: quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Eryck Magalhães
Ao debruçar-se sobre a história literária e estudar minuciosamente toda a sua trajetória, deparamo-nos com uma imensa gama de textos, temas e estilos. Diante disso, o impasse: Ainda restam diálogos? Ainda há o que contar? O poeta Fabiano Fernandes Garcez, através de seus belos versos, mostra que sim, e o faz com muita propriedade. Em seus “Diálogos que ainda restam”,poema a poema, o autor revela a capacidade que a poesia tem de se reinventar.
No poema “Diálogos”, o poeta aborda a banalização do uso das palavras, que por ora, parecem vazias em si mesmas: “Não sinto a profundidade / em todos os diálogos”. O bucolismo é outra vertente que também se faz presente, principalmente no belíssimo poema “Minha preferida” o qual nos remete aos poemas árcades. Porém, o eu-lírico, apesar de se mostrar saudosista, faz referência a seu tempo: “Ah! Colhe flores / Hoje ninguém mais faz isso / Colhe flores!”. A inquietude do homem contemporâneo consigo mesmo já é outra temática deste poeta multifacetado, e para abordá-la, o autor lança mão da intertextualidade nos poemas “Eu não sou eu” e “Sou nada”. Já no poema “Mulher”, a figura feminina é literalmente divinizada: “Para mim, Deus é mulher”. Entretanto, um erotismo que se mostra inocente permeia nos vãos dos versos: “de colo e seios fartos, para nos confortar”. Em uma série de poemas sobre “As Lembranças de Minha Avó”, o poeta faz sua reverência à importância que as mães de nossas mães tem em nossas vidas.
Sem mais delongas, que muitos outros diálogos ainda restem e que ecoem nos versos deste poeta.

Vale em Poesia entrevista o poeta Fabiano Fernandes Garcez

Posted: quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Vale em Poesia – Qual a importância da poesia, da música, da dança, do teatro, do cinema, das artes plásticas, enfim, da arte na sua vida?

Fabiano Fernandes Garcez - A arte é muito importante na vida de todos, é pela arte que sentimos o que não é sentido, é pela arte que tornamos consciente aquilo que nos é inconsciente. Gosto de todas as manifestações artísticas, principalmente a literatura, o cinema, as artes plásticas e o teatro, não tinha muita afinidade com a dança, até que me casei com uma professora de dança e coreógrafa, então passei a prestar mais atenção e pude perceber como é importante para o espírito humano a manifestação corporal, ainda não aprendi a dançar, mas já passei a apreciá-la.


VP - Você acredita que o jovem de hoje valoriza algumas manifestações artísticas como a poesia ou a literatura, o teatro, a música clássica e as artes plásticas? Por quê?

FFGNão. Devido a minha profissão, de professor, percebo que tudo isso é muito distante dos jovens, a não ser a música comercial e o cinema de entretenimento, porém percebo que apresentando essas outras manifestações artísticas a eles e, principalmente, guiando seus olhares a coisa muda de figura, mas de primeira eles não gostam e até criticam aquilo que não conhecem muito, cabe a nós fazer o papel de guia, de cicerone para eles. Certa vez, quando trabalhei em um projeto social, fiz uma atividade com a música Meu Grui do Chico, a meninada toda torceu o nariz, depois fiz uma breve explanação sobre a letra, então um menino me disse que não gostava de Chico Buarque, mas essa música era legal, perguntei quais outras músicas do Chico ele conhecia e ele me respondeu: Só essa!


VP – Você acha que uma utilização mais efetiva da poesia, da música, das artes plásticas, do cinema, enfim, da arte no processo educacional enalteceria a sensibilidade das pessoas, de modo a fazer com que as pessoas se tornem pessoas melhores?

FFG -  Claro que sim! Lembro-me de uma entrevista de Ferreira Gullar em que ele afirma mais ou menos o seguinte: Você pode viver bem, mas se você conhece Drummond você vive melhor ainda! Só por meio da arte que o ser humano toma contato com a humanidade que nesses tempos anda desaparecida de todos os seres. Pois quem vê, por foto mesmo, o teto da Capela Sistina, ou o Davi de Michelangelo, quem assiste a um filme como Cidadão Kane, Peixe Grande ou A Vila, só para citar três, quem lê os versos de Ferreira Gullar, Adélia Prado, Bandeira, Vinicius, ou quaisquer outras das inúmeras manifestações do gênio humano, não pode ficar sendo a mesma pessoa que era antes.

VP – Quem escreve, escreve sempre para ser lido, por muitos ou por poucos, mas para ser lido. Quem seriam seus leitores?

FFG -  Sempre escrevi para as pessoas comuns, na verdade a poesia elitista nunca me tocou, acho que o poeta tem ser complexo na mensagem, não na forma ou no vocabulário, gostaria que as pessoas simples lessem meus poemas, as lavadeiras, os porteiros, os motoristas, é para eles que escrevo, creio eu que são eles que necessitam, não da minha, mas de qualquer poesia. Lembro de uma entrevista, não sei com quem, que dizia que Pablo Neruda era considerado o maior poeta do Chile, porque ele escrevia para os pescadores, resolvi que era isso que eu queria para o meu texto.

VP – Você acompanha o atual panorama da poesia contemporânea brasileira?

FFG -  Sim, tento me manter atento aos poetas de meu tempo, vejo com bons olhos a poesia contemporânea, existem ótimos poetas novos, digamos dos anos 90 para cá, de cabeça posso citar alguns que gosto muito: Tonho França, César Magalhães Borges, Fábio Weintraub, Tarso de Melo, Pádua Fernandes, Claudio Daniel e Claudia Roquette-Pinto, esses eu acompanho já algum tempo, mas além desses existem outro menos conhecidos, são meus amigos e escrevem muito bem: Noemi Moura, Maria de Lourdes Alba, Cleber Bianchi, Jurandir Rodrigues. Além de tudo isso, existem poetas que estão produzindo muito, mas apenas em Blogs e ainda não publicaram livro algum.

VP - Como é a feitura de seus poemas? Tem algum método especial de construção?

FFG -  Não. Alguns escrevo de uma vez, eles veem prontos, outros escrevo apenas um verso e depois de muito tempo faço o resto, às vezes escrevo apenas idéias e desenvolvo o poema a partir delas, ou então escrevo como prosa e transformo em poema, no ano passado escrevi uma série de 80 poemas em apenas duas semanas, depois passei a cortá-los, modificá-los e excluí-los e sobraram 50. Às vezes escrevo direto no computador, às vezes faço rascunhos em papéis, meu único método de escrita é não ter método nenhum.

VP – Como foi a concepção do livro?

FFG -  Diálogos que ainda restam na verdade não era um livro, quase todos os poemas entrariam em Poesia se é que há, o meu primeiro, nele estão poemas que escrevi desde meus 14 anos (anos 90) até o ano de 2008, mas a quantidade de páginas ficou muito grande, quase 200, então pensei melhor e publiquei primeiramente apenas os poemas mais antigos, que são os estão em Poesia... . Depois relendo os poemas que sobraram, percebi que eles tinham um tema central, mesmo sendo tão diferentes entre si, achei que eles se referiam à comunicação ou a falta dela, então passei a ler e relê-los e dividi-los em capítulos, aí me veio o nome: Diálogos que ainda restam, quando o livro ficou pronto, pedi auxílio ao grande poeta César Magalhães Borges, que foi meu professor na universidade e depois disso passei a ter amizade, e ele me ajudou, com alguns pitacos poéticos a dar um tom mais lírico, diferente de Poesia... , então passei a mandar o livro para algumas editoras. Entrei em contato com outro amigo, o maior poeta de Guará, Tonho França, para que ele me recomendasse para sua editora, a Multifoco, foi então que ele me disse que estava abrindo um selo por essa editora e me pediu o material, mandei, ele leu e gostou. Assim surgiram Diálogos que ainda restam.

SONETO AO MEU AMOR

Posted: by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Se amor é um fogo ou é uma ferida
Ou apenas um querer bruto e fero
Ou então uma prisão de mãos regidas
Amo-te total bicho mistério

Amor meu fecha a porta escura
Amamo-nos tranqüilos ao rio
Tu, branco cisne como candura
Estendo-te a mão laço de fio

Prende-me o amor, não é dos tolos
Nem dos sábios; é apenas o teu
Camões, Bocage, Garret e Pessoa

Neruda e Castro Alves, Vinicius
Tomei versos, palavras à toa
Cantar, cantei a ti: Meu amor e vício

Diálogos que ainda restam,  p.39

O VIOLÃO

Posted: terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Pego o violão

tiro a capa
tiro a poeira

O violão branco
de madeira

Passo a mão em sua cintura
(tem corpo de mulher)
Poso para foto
Por posar

Pois não toco
nunca toquei

Ele sempre me tocou
com seu som
nas tardes de cantoria
nas noites de serenatas que eu assistia
nas manhãs que ele me acordava e eu não queria

Penso em fazer soar suas cordas,
um acorde qualquer,
não faço

Pois não toco
Nunca toquei

O violão já trouxe melodia
alegria e até poesia
Hoje não toca mais 

Diálogos que ainda restam  p.23

EU NÃO SOU EU

Posted: quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Eu não sou eu, sou outro
E outro que não o outro, que não eu
Eu sou outro e outro e
outros tantos e eu

Se sou eu que é outro
o eu que sou também não sou eu
Com tantos eu, outro e outros eus,
como posso olhar algo e dizer: isso é meu?

Como pode ser meu,
se o eu que sou não sou eu?
Quando eu digo meu,
o eu pode estar se referindo ao meu que é do outro
o outro que não sou eu,
então, esse algo é seu!

Mas se sou eu e outro
o outro também sou eu
Aquilo que é seu é meu!

Eu Fabiano, Fernando, Carlos
que diferença faz, se todos os outros sou eu

Eu sou o outro e os outros
sem deixar de ser eu
      sou eu e sou outro
e os outros sou eu

Mas os outros que não o outro,
que não os outros outros
que não eu, também sou eu?

Diálogos que ainda restam p. 43

Um tempo que escorre aos olhos

Posted: quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Por Fabiano Fernandes Garcez

            Em À medida dos Tempos, livro de estréia de Clebber Bianchi, percebe-se que no decorrer da obra o poeta amadurece seu canto, amplia suas impressões e expressões, suas visões e percepções de um tempo impossível de se aprisionar, mesmo depois de capturado pelo retrato fotográfico, restando ao olhar lírico apenas a nostalgia de um tempo tardio, mesmo que recente:    
Do peito,
escorre a chama suja dos tempos.
O olhar é simples, singelo,
apenas os tempos são capazes de testemunhá-lo.
O sorriso amarelou no retrato
e a fala muda enalteceu a lembrança.
Somente o sonho sobreviveu.
E a saudade vive nas tardes,
sob as folhas das mangueiras,
a cada lágrima que cai.
           
            Clebber nos dá mosta do labor poético que preza a fenomenologia do olhar, olhar este que se volta para as coisas sem importância, coisas à toa e, por isso mesmo, são de grande valia e merecem ser recordadas:
Haverá um tempo
em que o passado estará exposto
no reflexo das cores orvalhadas
das flores do jardim da janela dos fundos.
As goteiras farão as rimas dos versos
que contarão a história.
O silêncio que havia na casa grande
havia entre os odores do curral.
O galo que há pouco cantou
propiciou reminiscências,
que os roncos dos motores e buzinas,
além do apitar cotidiano da fábrica, apagaram.

                                                                       RETRATOS

            A observação subjetiva das coisas simples, singelas, ganha um forte aliado, sua sintaxe também simples, sem afetações linguísticas de um discurso meramente formalista, que pouco comunica. O discurso poético de Clebber comunica bastante, para isso o campo léxico de À medida dos tempos é cotidiano, comum, no entanto é nessa simplicidade de dizer que é dito muito sobre a solidão, os sonhos infantis e até sobre o fato de se perder as palavras, restando apenas a contemplação sensorial do momento:     
Daqui de cima tudo é solitário.
Viver acima
é encontrar-se surdamente
falando para si mesmo.
Esta é a minha casa da árvore (sonho de criança)
financiada em duzentos e quarenta meses, além de alienada.

Quando enlouqueço e grito lá para baixo,
somente as buzinas respondem.
Em seguida, as palavras não me vêm.
Apenas o pio da andorinha,
um pio, um só.
Apenas uma andorinha,
uma andorinha apenas.
                                                                       UMA ANDORINHA
           
            Cleber vale-se de alguns recursos poéticos, apesar de sua linguagem acessível, como por exemplo, paradoxos e antíteses:
O tempo é permissivo
aos contentamentos descontentes.
Vejo que tudo acontece ao mesmo tempo agora
no cenário dos dias na cidade...
                                                                       PESARES DO TEMPO

Hoje, o tempo me veio solteiro,
em uma noite daquelas em que a melhor companhia era a
solidão.
                                                                       EU INTRA
            além disso, em alguns poemas vê-se um jogo com os diferentes valores semânticos de uma mesma palavra, como em MÁSCARA:
Um ser sem sentir-se
um sentir-se sem ser.
            porém é nas belíssimas imagens poéticas que Clebber Bianchi se mostra mais criativo:
Enquanto os sapos coaxam de sede,
O sol atravessa a pele da terra,
e meus ombros são minha camada de ozônio.
                                                                       DESALINHO

Cansei de respirar uma felicidade esbaforida,
cansada de se engasgar no soluço sórdido,
numa exatidão sem nexo e triste de alma.
(...)
Bastou-me um santo
e ajoelhei-me sobre as cinzas carbonizadas do meu consciente.
                                                                       DILATEM, PUPILAS!

            O poeta também se utiliza de alguns recursos sonoros que fazem com que os seus poemas ganhem em musicalidade e ecoem em nossos ouvidos. Um desses recursos, é o eco fonético, ou seja, aproximação de palavras semelhantes sonoramente:
Eu era um descaso do acaso,
angariado na contramão de uma grande avenida
Os brilhos dos olhos lagrimantes de saudade
de um tempo escorrido nos relógios
refletiam a esperança do passado,
apagada na realidade de um presente sério.
                                                                       TEMPO DE REZA

            Outro recurso utilizado pelo poeta é a onomatopéia:
O relógio tinha que tá, tinha que tá
mas não tá.
(esta foi a única coisa que o tempo parou!)
                                                                       MANTO NEGRO

             Clebber mostra em seus versos, não raro, a influência de Tonho França, e faz uma homenagem à altura do poeta de Guaratinguetá em CHARUTO CUBANO:
Uma lágrima seca escorreu-me de canto
e o canto do pintassilgo emudeceu na gaiola.
Minha cachaça perdeu o gosto quente,
exposta ao sol dos dias.
Mesmo uma pimenta aberta no prato
caçoava minha coragem.
Senti desconforto
e, sob meus pés,
o vácuo das manhãs sem sal provocava saudades.
É contínua a direção dos ventos,
segundo os sonhos,
seguindo sempre somente e só...

Os apoios que me sustentam
são espinhos tristes, sanções expressionistas,
cenários de Van Gogh.
Meu peito dilatado
ressalva as atitudes corriqueiras nas janelas
temperadas de línguas.

E sobre a rede ...
... e sobre a rede,
somente um legítimo charuto cubano
fazia-me companhia,
e entre um trago e outro
trago saudades.
Ao fundo,
solos de blues...
Solos de blues,
à tarde.

As acácias choravam suas perdas,
e as folhas caíam como eu,
solitariamente...

            Outro destaque do livro é OLHOS FECHADOS, poema com uma vertente ecológica e, dado aos problemas ambientais, quem sabe, profético:
A culpa é nossa!
Uma culpa com a imensidão do verso,
do céu-fumaça, estradas-pet, sertão-papel. Culpa tamanha!
O sonho é esperança contida no escorrer das águas nas sarje­tas,
nas mãos atadas dos pobres de espírito,
no papel de bala que perfurou o vento
e não pesou sobre a mente poluída.

É o início do fim. (...)

            Le Goff em História e Memória diz:
“a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia”.
Com base nessa afirmação, só resta encerrar a resenha com os belíssimos versos de SEXO DOS TEMPOS, sem antes render as devidas congratulações ao poeta que surge à tempo:

Sou atemporal.
Minhas memórias não morrerão minhas