Decorar ou não decorar, eis ainda a questão para muitos professores...

Posted: sábado, 12 de novembro de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Olha, sinceramente, para mim existe uma difereça entre "decorar" e "memorizar", penso que decorar é aquilo que precisamos para resolver uma situação circunstancial, passageira, por exemplo, eu posso decorar o que preciso comprar no mercado hoje, ou decorar um endereço que precisarei chegar amanhã... contudo, se eu decorei essas informações, quando a situação for "superada" eu não me lembrarei mais de todos os iténs que comprei, nem extamente o nome e número da rua onde eu fui. Agora, memorizar, é quando determinadas informações (situações) fazem parte do meo repertório comum (cotidiano), pois se inserem em minha realidade, por exemplo, eu tenho memorizado o endereço da escola onde trabalho, e também sei que se for ao mercado amanhã, independente de outras coisas, devo comprar leite, iorgute, frutas e suco de caixinha, pois são elementos que compõe a minha rotina... enfim.. É por isso que sempre penso no aprendizado do aluno como um processo, que necessariamente não precisa ser imediato, pois é somente a intimidade com determinados conceitos e aplicações é que leva ao aprendizado que tenho como meta, que está muito mais ligado à "memorização" (ou seja, compreensão e apreensão do saber) do que à mera "decoreba". Se o aluno decorar toda a minha matéria é bem possível que daqui há dois anos ele não saiba mais nada, e devo ficar feliz se ele se lembrar do meu nome, e muito feliz se ainda for capaz de associá-lo à minha disciplina.

assembléia de estudantes na USP, 08 de novembro de 2011

Posted: quarta-feira, 9 de novembro de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Um pouquinho do clima da assembléia dos estudantes na FFLCH/ USP... na noite após a madrugada em que a polícia prendeu os setenta...

Entrevista com a professora Roberta

Posted: segunda-feira, 31 de outubro de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Este vídeo mostra a agradável experiência que eu tive, a convite do meu colega - professor Éliton, que dá aulas de português na escola onde eu trabalho - de ceder entrevistas às turmas das quintas séries sobre a publicação do meu livro. Bem, o objetivo deste vídeo é mostrar um pouco do trabalho com os alunos, dos Bastidores dessa atividade... a entrevista "oficial" mesmo, nós ainda vamos editar.

Deveres

Posted: domingo, 18 de setembro de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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É preciso pagar o pato;

É preciso dispensar o tempo;
É preciso libertar os planos;
É preciso escrachar os medos;


É preciso calar ruídos;


É preciso gritar por dentro;
É preciso amar de fato;
É preciso penetrar si mesmo.

a tardinha

Posted: quarta-feira, 7 de setembro de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Desaprender é aprender a aprender
é permitir-se rever, reinventar-se
paciente artesanato
todo dia

Aprender todo dia é renegar-se
é ser e nunca completar-se
é uma existência inconstante
todo dia
A ignorância me vem a tardinha
me incomoda, me enfrenta
uma praga comezinha
insistente
desmente meus dogmas
se inflama
confronta os axiomas

A ignorância consome: fogo
no galho seco do pensamento

torto, toma conta dos meus atos,
do meu corpo, E eu fico neste porto
entre o arenoso branco
efêmero, e o eterno
turvo d` água
- oceano indecifrável

Ah, que boa estratégia de vida
revelam-me os de espírito mediano
optar pela via
das certezas.

Fabiano Fernandes Garcez: Notícias

Posted: terça-feira, 30 de agosto de 2011 by Fabiano Fernandes Garcez in
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Fabiano Fernandes Garcez: Notícias: Entrevista com o professor e porta Fabiano Fernandes Garcez Jornal Comunicação Regional publica crônica de Fabiano Fernandes Garcez...

a língua

Posted: domingo, 28 de agosto de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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A língua

válvula do grito

em mim pulsa e vibra

motivos ancestrais

pretensiosa lascívia

em mim e pulsa e vibra

o resultado de nossa língua

emaranhada e uníssona

em mim pulsa e vibra

sinuosa víbora

enfeitiçada, tremida.

Como se fosse o próprio ato

carnificando o que era oco

tocando o indizível

imagético, sensitivo

em mim pulsa e vibra

pelo chocalho da língua

opressão e orgasmo

lexicais convenções

tramadas entre nós

em mim pulsa e vibra

aquilo que eu sinto

meticulosas contorções

das combinações

das línguas.

Bicho da Seda - um poema de Geni Guimarães

Posted: terça-feira, 23 de agosto de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Nascia

Um belo dia,
emoção forte me causou vertigem,
mamei minha mãe na fonte
de leite fiz um verso virgem.

Dos rios mastiguei os córregos
dos sóis sorvi dourados bicos
tomei do alfabeto, os símbolos
com eles fiz um verso rico.

Mas, da primeira cobra
armada em botes,
aprendi as contorções molengas
tomei da angustia, vida fluída
ri um verso duro, capenga.

Sou hoje colheita descoberta
dos amores de auroras nas fazendas,
extração dos capitães de mato
e dos de Areia do Jorge.

Explico então:

o poeta é um bicho de seda...
que explode

ao bicho da seda

Posted: segunda-feira, 22 de agosto de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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da folhagem amoreira
teu tecido: nossas vestes
é densidade suave.
Acolhemos as larvas,
ora façamos casulo
- lírica consciência -
tangendo de luz as colheitas.
Eis, no meio do caminho
te encontro pequenino:
Bicho da seda e gente



tome, pegue tua parte
desafinada de pedra
e bate que bate cinzentos
limos dos tempos
liames de nós mesmos
e de lira reverbera.
Afiado atabaque bate
tece o poema sem pressa
dissolve as amarras, esteta:
Bicho da sedosa esfera


Mama tua mãe e espreita
na fonte, mama tua mãe
fértil e fluída senhora
e assim como tu,
poeta e teta, mamo
minha mãe - a fonte plena,
ciranda selvagem pura
e perene - bate que bate
teu fôlego vivo emana:
Bicho de seda nua


se é santa ou serena
se é sádica, virgem
já não se sabe
só sei que nasceu um belo dia
emoção forte, vertigem
necessária e extrema
dissonante atabaque
bate, bate que bate
mama na fonte, explode:
Bicho da sede incessante.

O alucinado tempo da sala de aula

Posted: by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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A questão do tempo é algo que deve ser pensado, analisado e otimizado na prática docente, pois é crucial a sua boa administração para um bom desempenho do professor, em seu planejamento de aulas, que possa se repercutir num desempenho positivo dos alunos. No entanto, lidar com o tempo não é tarefa fácil, exige um esforço contínuo de superação, ainda mais se pensarmos na dinâmica tensa do dia à dia escolar, principalmente ao lidar com o Ensino Médio e Fundamental II, onde tudo deve ocorrer muito rápido, o mais rápido possível, antes que bata o sinal de "troca de aulas" e os alunos simplesmete desapareçam, deixando o professor com aquele sentimento angustiante de "não consegui concluir". Chega ser alucinante este esvaziar e encher das salas de aulas a cada TREEEEEEEEEEEEMMMMMMMM do sinal. Ainda mais ambígua parece ser a tentativa de converter o tempo cronos da sala de aula em tempo cairós, as vezes a aula acontece, capta os alunos, arrebata-os e quando caminhamos para discussões mais complexas, TREEEEEEEEMMMMMMM, o sinal bate e acaba com o encantamento que, os alunos não sabem, mas nós levamos um bom tempo para preparar.
Bem, é fato que o número de "horas atividade" somado ao número de alunos por sala, somado à quantidade de aulas que o professor deve lecionar para ganhar tal salário não são pontos favoráveis à atividade docente, entretanto, acima das dificuldades nós, professores, enquanto profissionais devemos manter a ética com nossos alunos e com nossa tarefa de educar, o que significa agir com seriedade e comprometimento. Deixar de cumprir efetivamente nossas atribuições porquê "não deu tempo", além de prejudicar os alunos prejudica à nós mesmos, fragiliza nossa postura e autoridade na sala de aula - uma vez que os alunos facilmente precebem quando o professor apenas "improvisa" - e então, dificulta a nossa prática.
Enfim, administrar tempo, dentro e fora da sala de aula (ou seja, desde a preparação até a "execução" da aula, ter previmente pensado sobre duração de cada atividade, etc.) é essencial na vida de um professor. Sobretudo, é importante não deixar os alunos "ociosos", saber lidar com o cronometrado tempo de aula de modo à potencializá-lo e não, ingenuamente, negligenciá-lo.

(Roberta Villa)

Caro Ofício

Posted: quarta-feira, 17 de agosto de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Equalizar

o aquém

e o além

Conviver

com eros

e thanatos

Redimir

o inespressivel, o inexpressivo

a ilegível grafia

Adentrar sem pavor

aos agudissímos gritos

e o mais grave silêncio

Subverter o glamur

de uma liberdade impotente

- rédea e ferradura -

Enfrentar com humor

a certeza

e o enigma

Descobrir

ao outro

e a si

Aprender

a ensinar

e aprender

Ensinar

a aprender e ensinar

e aprender

Sarau da Cooperifa: Paulo Vieira recita Drummond

Posted: quinta-feira, 30 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Meu colega do curso de pós na USP: Paulo Vieira, grande poeta, paraense, recitando Drummond no SARAU DA COOPERIFA (15/06/11). Muito bom!

Sussurro

Posted: domingo, 5 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Teu corpo é signo:

matéria e essência

linguagem e enigma

- potência nua encoberta

de imagem e sentido



Tua pele contém

todas as letras

que vão e que vem

abstratas, precisas

na tensão do teu ritmo



Teu cheiro:

todas as cifras

intangíveis

poema translúcido

perfeito, inefável


- teu corpo é signo.


(Roberta Villa)

Agência

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Aonde está esta agência

de agenciar o sentido das coisas

de localizar, analisar os sintagmas

de melindrar, apaziguar os perplexos

de naufragar, apoquentar as centelhas

de otimizar, agraciar o sem nexo

de pulsar, arrombar as artérias

Onde está este aonde?

aonde, onde, aonde?

(Roberta Villa)

Comentário sobre a leitura de “O Arco e a Lira” Octavio Paz

Posted: quarta-feira, 1 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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“Não sem justificado assombro as criançasdescobrem um dia que um quilo de pedras pesa o mesmo que um quilo de plumas...” (p. 121)


A fronteira ente a prosa e a poesia torna-se mais tênue após o modernismo, que alargou e problematizou as normatizações das formas estendendo as vias da prosa e do verso, possibilitando e provocando novas possibilidades de enxergar e interpretar o poético. Em “O Arco e a Lira” Octavio Paz discute esta questão - analisa mais detidamente o cenário da literatura espanhola, porém - apresentando ao leitor aspectos que consistem uma tendência geral da literatura moderna. “Na Espanha a ruptura com a poesia anterior é menos violenta. O primeiro a realizar a fusão entre linguagem falada e imagem não é um poeta em verso, mas em prosa: o grande Ramón Gómez de La Sernap” (p.115). A partir deste dado, Paz exemplifica e conclui: “A poesia moderna de nossa língua é mais um exemplo das relações entre prosa e verso, ritmo e metro” (p. 117)

Ao pensar a relação verso e prosa, Paz nos propõe uma reflexão genealógica sobre a linguagem e sua relação intrínseca com o ritmo, e desta forma, afirma que o ritmo não é exclusividade da poesia, pois na prosa, assim como em toda linguagem verbal, há ritmo. Contudo, o ritmo da poesia se apresenta de modo singular porque está articulado ao essencial de sua significação: a imagem. O argumento central, que “ritmo e imagem são inseparáveis” (p. 118) na construção do poema, dirige e fortalece uma profunda discussão acerca da potência da imagem diante dos limites da linguagem verbal. “O valor das palavras reside no sentido que ocultam. Ora, esse sentido não é senão um esforço para alcançar algo que não se pode realmente ser alcançado pelas palavras” (p. 128). Como diria Drummond, “sob a pele do poema há cifras e códigos”, com a leitura de Octavio Paz podemos compreender que essencialmente estas “cifras e códigos” do poema, de modo peculiar à prosa, são a articulação minuciosa entre ritmo e imagem.

Logo, a imagem é compreendida como mecanismo capaz de abrigar em si contradições, realidades distanciadas, apresentando-nos uma espécie de mosaico-caledoscópio de sentidos, sem a necessidade de racionalizar uma síntese entre os opostos: tomar dois elementos distintos para converte-los num terceiro. “Até para a dialética a potência da imagem resulta num desafio enigmático (...) a imagem é uma frase em que a pluralidade de significados não desaparece” p.130). Portanto, o autor afirma: “o sentido da imagem é a própria imagem (...) nada pode dizer o que (ela) quer dizer”, por conseguinte, “sentido e imagem são a mesma coisa”. A imagem é um choque de sentidos imaculados e potencializadores, capaz de conjugar instantaneamente o ambíguo e o paradoxal, como no caso do pesado leve de “um quilo de pedras” ou do leve pesar de “um quilo de plumas”. Independente do “quilo” a imagem da pedra é em si dureza e rigidez, enquanto as plumas não deixam de ser maciez e delicadeza; por este motivo a lógica científica, racional, pragmática não pertence à ordem da poesia. Estabelecendo esta argumentação, Paz busca provar o quanto “um poema não tem mais sentido que suas imagens” (p. 133) e assim como o sentido da imagem é a própria imagem, “o sentido do poema é o próprio poema” (p. 134), o que lhe garante uma autonomia de expressividade; conferindo, deste, modo legitimidade à idéia de que todo poema é auto-referencial, uma certa forma de metalinguagem. Se comparados lado à lado, poderia se falar numa esfera intra-referencial que circunda o poema e numa esfera “extra-referencial” da prosa, relacionada à engrenagem sistemática, coesa, conceitual que faz parte do processo de escrita e leitura do texto em prosa.

Não obstante é importante destacar que “a realidade poética da imagem não pode aspirar à verdade. O poema não diz o que é e sim o que poderia ser. Seu reino não é o do ser, mas o do “impossível verossímil” de Aristóteles” (p. 120 – 121). Discussão extensa e antiga, já anunciada no livro X de “A República”, de Platão, o qual evidencia o quanto ao poeta resta trabalhar com a incompletude de um “terceiro nível de mimeses”, não por menos, o dilema da representação é mote central do fazer poético. A tensão da palavra poética parece ser justamente sua sina em buscar traduzir-nos a pluralidade e ambigüidade da experiência do real, ainda que tenha consciência do impossível de fazê-lo. Essencialmente ritmo e imagem o poema é linguagem transgressora, pois ultrapassa as fronteiras da própria palavra: “o poema é a linguagem em tensão: em extremo de ser e em ser até o extremo” (p. 135); todavia, “o dizer poético diz o indizível” (p. 136). Magistral simbiose de ritmo e imagem, no poema se “penetra surdamente no reino das palavras”; o poeta não descreve, não representa, ele apresenta: “recria, revive nossa experiência do real” (p. 132). “Poesia, reino onde nomear é ser. A imagem diz o indizível: as plumas leves são pedras pesadas. Há que retornar à linguagem para ver como a linguagem pode dizer o que, por natureza, a linguagem parece incapaz de dizer” (p. 129).

Sobretudo, Octavio Paz confronta o conceito formalista de medida silábica que muito simplificadamente regulava a distância entre a prosa e o poema, refutando-o pela idéia de que a unidade rítmica é o núcleo do verso, ou seja, a composição do texto poético pauta-se na cadência e fluência do ritmo articulado às imagens produzidas, e não apenas na contagem das sílabas. Eis porque o autor esclarece que o método de associação poética dos modernistas é a sinestesia. “Correspondência entre música e cores, ritmo e idéias, mundo de sensações que rimam com realidades invisíveis” (p. 112).


Roberta Villa