Um Poema do Pedro Paulo

Posted: quinta-feira, 23 de abril de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
4

O BEMVINDO

De onde você vem vindo?
Do engodo
fatalista
das máquinas incansáveis
que repetem, mudas e
sem olhar para os lados,
os movimentos insossos
Da virtude que deus lhes deu?

Ou da aurora
que abraça o firmamento
e morde
a liberdade dos homens?

Passo lúdico é
sorrir para o destino:
papel em branco
com sede de giz-de-cera

Trabalho de criança
que fantasia para além
dos presentes que só-lhes-dão
no dia de aniversário.


Pedro Paulo
Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 2009.

4 comentários:

  1. Prosperi, grande pessoa. Obrigado pela lembrança. Se cuida companheiro, um abraço mineiro pra você! hehe. =)

  1. Oi! Gostei do seu poema, faz tempo que você escreve? Só me esclarece uma dúvida, o que você quiz dizer exatamente com a última estrofe?

    Poste mais textos seus no blog...!

  1. Grande honra ter seu texto no blog, Pedro Paulo, mande-nos mais e mais!

  1. Oi Roberta, dois amigos acharam que a última estrofe ficou meio deslocada do mote da poesia; estou aprendendo e então é comum o vacilo. Na última estrofe quis dizer que cada um de nós deve criar o sentido de nossa vida tal como uma criança faz: brincando, se divertindo. Elas são alheias ao que se passa no mundo dos adultos; esses já envolveram tantas cascas nas coisas, que por isso perderam a mínima compreensão da essência das coisas do cotidiano. Acho que a brincadeira da criança é muito mais séria do que aparenta ser, foge da nossa compreensão. Mas arrisco um palpite: ela fantasia para além dos presentes que recebe no dia do seu aniversário. O brinquedo não é só um meio de passar seu tempo. É um recurso através do qual ela cria mundos fictícios, fantasia em cima daquilo, pois é experiente e tem como sina simbolizar as coisas, criando um ponto de vista para além da mediocridade do cotidiano (real e simbólico) que a rodeia. Talvez ela nem tem consciência de que está rodeada de tanta mediocridade. Mas vive alheia a tudo isso, e brinca com suas fantasias, será porquê? hehe. (...) Esse poema foi o primeiro que escrevi Roberta. Depois, escrevi 1 conto que o Prosperi também conhece. Quando possível vou escrever sim Prosperi, e te mantenho em contato. Parceiro de prosa, obrigado pelas nossas "conversas verdadeiras" no sentido filosófico do termo: há troca real de in-formação e aprendizado, e claro, muita descontração. Grande abraço aos dois. Até. =)

expresse algo!