Insônia
Posted: terça-feira, 21 de setembro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: Roberta VillaEu não quero tomar remédio para dormir;

O BLOG DOS POETAS VIVOS
Eu não quero tomar remédio para dormir;

Biblia do Caos: Novo Evangelho
IV.
Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião, a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden.
Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo-Poderoso), que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha.
Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida
com a tua poesia?
(quero ouvir, enfim
tocar a tua poesia)
Sensível e quieta
desvelar a sensação
singela: se derrama
no pulsar da tua rima,
palavra que desliza,
cadência quente e viva
mina de teu engenho
que é empenho, é suor
sobretudo inspiração
- se aquieta só então
consumada a poesia
Intimamente
desnudar tuas pistas:
me revela denso
segredo e ousadia,
a ânsia, a afasia
tão bonita, tão intensa
quanto o próprio
Alumbramento
ver o céu, ver o céu!
ser em ti o próprio céu
sim, emana em mim o céu
da tua poesia.
Roberta Villa

Ah! Menino-demônio
Anjo-velhaco
Pegaste o elevador fantástico
para pousar na brilhante neve infernal
Esporra essa metralhadora giratória de impropérios
em minha boca torta
em meu ouvido invisível
em meus orifícios violados
em meus poros pudicos
para que junto de ti e ao sol roxo de vergonha
eu deixe distanciar minha inocência
em mais um tapete voador
Ceder a outra a face à quem nos fere
é ato reservado aos de alma nobre.
( talvez o raciocínio seja pobre
mas segue do que a estrofe abaixo infere).
Ser bom é viver bem consigo mesmo
ainda que os amigos tirem sarro.
É ser beijado às vésperas do escarro,
é dar o porco em troca do torresmo.
É fofo, é lindo, é belo, é edificante.
Análogo ao esforço vão do arbusto
que teima em dar abrigo a um elefante.
Se quer viver assim, calcule o custo:
ser homem, ou ser cu, já dói bastante.
Então pra que ser bom, além de justo?
André Prosperi
Lendo os sonetos do André e pensando eu decidi escrever as parcas e insosas linhas que seguem. Amo o soneto, como forma bela que é, sou realmente apaixonado pela melodia que há em cada uma de suas linhas, isto sem contar sua pluralidade temática e sua possibilidade filosófica – é afinal o soneto – a filosofia da nossa língua.
Mas a vaca gorda é o sonetário que se forma e que tenho o gosto de acompanhar. O prosaísmo dos versos que tem aparecido por aqui, são curiosamente belos. Belos e jocosos. Fazendo com que eu pense um pouco no panorama da poesia mais contemporânea que existe que é essa da internet, feita nela e para ela. Uma poesia mortal isso sim que nasce na internet. Porém na figura de André Prosperi talvez ascenda um desejo poético de conteúdo e forma que abertamente bate no tempo presente.
Invoco os leitores desse blog à discussão, leiamos estes sonetos e falemos um pouco deles, em forma e fundo que é isso que surge nesse poeta.
Compartilho com vcs minha descoberta. As músicas foram retiradas do Álbum L'ours Blanc au Panthéon, de Xavier Creff.
Espero que gostem.
Em “Orientalismo”, Said defende a tese que o Oriente é uma criação do Ocidente, promovendo de “Orientalismo” como forma de discurso resultante da elaboração ocidental, que criou dentro de seu sistema acadêmico e intelectual uma espécie de categoria e um tipo de erudito especifico – o Orientalista. Na realidade o que está em jogo é essencialmente uma relação de poder na qual o discurso orientalista constrói e legitima a situação entre dominantes e dominados. Para Said, falar de Orientalismo é a princípio falar de uma empresa Cultural Francesa e Britânica e que, após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se uma empreitada norte-americana. Desta forma o Ocidente, ao construir a imagem de um Oriente inferior, pobre e autoritário, simultaneamente estava construindo sua auto-imagem de superioridade, riqueza, democracia. A manipulação e veiculação dessas idéias gerou conseqüências desastrosas para a humanidade.Como exemplo, o autor aponta a questão da dominação americana no Oriente, e descreve a pretensão ocidental desde Napoleão no século XVIII, de mudar o mapa do Oriente Médio.
Roberta Villa
Para ler na íntegra, vá em "artigos"...
- Baseado em preceitos de Emmanuel Lisboa -
Afora Deus, só o chato é onipresente.
Mas Deus não aparece toda hora.
O chato, porém, surge e se demora
por mais que nosso adeus seja insistente.
No mundo há vários chatos. Entretanto,
há um tipo que encabeça a hierarquia:
aquele que não mede a simpatia
e cuja empolgação nos causa espanto.
Prefiro a companhia de um macaco
ao papo desta gente linguaruda
que vive só pra encher o nosso saco.
O chato sempre trás sob o sovaco,
além do cheiro, um livro de auto-ajuda.
Respeito quem protege a natureza,
quem cuida das plantinhas e dos bichos.
Confesso que até eu separo os lixos,
poupando ao catador esta despesa.
Ocorre que, entretanto, a via oposta
demonstra um quadro muito diferente:
quem vive como eu não é mais gente,
é monstro que se mata e come bosta.
Controlam o meu tempo de chuveiro,
e só porque não nego à grama a poda
me tratam como horrível baleeiro.
Não é o preconceito que incomoda,
é ter de ouvir conselho o tempo inteiro
Agora que ser chato virou moda.
André Prosperi