TEXTÍCULO I
Posted: segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: André prosperiAcho graça no seu medo
De encarar o espelho.
Acho bonito
Cada um cria e crê
No próprio mito
O BLOG DOS POETAS VIVOS
Acho graça no seu medo
De encarar o espelho.
Acho bonito
Cada um cria e crê
No próprio mito
Ficou surpreso quando percebeu que seu peito estava sem pêlos, achou estranho, de manhã eles estavam entre os botões da camisa, percebeu também que umas poucas gordurinhas atrás de seus mamilos também tinham sumido. Seus braços, como o peito, despelados ficaram mais rijo, mais forte, chacoalhou os ombros, achou bom e socou uma camiseta no corpo e saiu.
Pela manhã estava dentro de uma camisa branca, mais longa que sua cintura, agarrada ao seu tórax e as mangas compridas desabotoadas, a calça meticulosamente rasgada nos dois joelhos, botas de bico quadrado que espelhavam seus cabelos descoloridos artificialmente e artificialmente fixados em pé.
Ia para a faculdade apenas para ser visto e ver as menininhas, acordava cedo, tomava banho e café, escolhia uma roupa (que não houvesse usado naquele mês) ia para frente do espelho, voltava, trocava de peça, ia para frente do espelho, gostava, colocava, olhava, olhava, virava, olhava e gostava, pegava o perfume (um que não sentiram o cheiro aquela semana), cheirava, espirrava, espirrava, pegava o gel fixador e o pente, voltava ao espelho, espalhava, cheirava, passava nos cabelos, penteava, não gostava, espalhava, cheirava, passava nos cabelos, gostava, olhava, virava, olhava e sorria, saia.
Pegava seu carro, lavado e encerado diariamente (não por ele), ligava o rádio, procurava, procurava, procurava, sintonizava e o volume aumentava e cantava, antes, sempre as mesmas músicas do top teen das paradas, já foi samba, sertanejo e: _ Agora o que “pega” é o forró ele ia cantando forró.
Chegava atrasado, passava enfrente da sala, era visto por todos, gostava, entrava, cumprimentava, conversava, marcava ficar até as tantas num bar da esquina e só então abria o caderno.
Após a faculdade ia para academia, ver a minuciosa evolução de seus músculos, gostava de pegar peso, se achava mais homem cada vez que pegava mais peso e sentia bem de perto o ácido cheiro do suor dos outros homens.
Depois ia ao bar, já tarde, ia pra casa, mas naquele dia, ele teve uma surpresa, seus pelos sumiram, não se preocupou, mas agora, era demais, os dedos do pé, não se mexiam, não se dobravam. Gritou, todos acudiram, chamaram um médico, o médico veio, balançou a cabeça, lamentou e disse desconhecer aquilo. Ele chorou.
Possuía uma caderneta na qual marcava os nomes das meninas beijadas que assim como ele encarava a vida desta maneira tão cheia de ideologia e utilidade, sempre achava sua porção feminina de pensamentos e atitudes, as que com ele transava marcava em outra, as que beijava ou transava duas vezes marcava um “xis” ao lado do nome.
Depois de tanto chorar acabou adormecendo, quando acordou no meio da manhã, tomou outro susto, agora era os dedos da mão, estavam duros e grudados uns aos outros, dessa vez não chorou, tentou dormir, talvez tudo fosse um sonho, um horrível sonho, um pesadelo!
Seus diálogos com os amigos eram sempre sobre mulher, casas noturnas, carros, top teen, nacional e internacional, new top, grifes de roupas e óculos, adorava o cinema americano e as novelas brasileiras.
Passou dois dias, entre médicos, choros e tentativa de acordar do pesadelo, seus amigos ligaram, não queria ser visto naquele estado, estava esperançoso, pois a doença não evoluiu neste período, talvez até regredisse.
Sempre foi arrogante, quando percebia que alguém não lhe seria útil, então o presenteava com o desprezo ou a humilhação. Os empregados que sabiam disso, na frente sua tratavam-lhe bem, quando de trás...
Acordou sufocado, não conseguia respirar, entrou em desespero, já não conseguia chorar, gritar nem mesmo falar.
Agora apenas olhava nas caras, um pavor misturado com pena, de seus amigos, suas namoradas e outras não qualificadas como tal, as pálpebras já não se fechavam, seu pai comprou um aparelho hospitalar cuja função era pingar uma gota em cada olho de lubrificante em uma porção de tempo.
Nesta situação nem percebeu que seus joelhos ou cotovelos não se dobravam, sua boca também não se abria, ainda conseguiam alimentá-lo com um canudo colocado do lado direito da boca, onde era jogado uma papa bem rala feito por sua mãe, temperada com algumas lágrimas da pobre senhora.
O tempo foi passando, os amigos se afastando, as namoradas arrumaram outros namorados, restando aos pais acariciarem seus cabelos que já não eram os mesmo de antes, e os empregados retribuir as antigas humilhações com piadas e chacotas.
Não houve médico no mundo que descobriu a enfermidade do rapaz, não foi por falta de esforço do pai, que empenhou quase toda sua fortuna nisso, a mãe coube empenhar seus esforços em rezas, que nada adiantou.
Antes de, enfim, morrer, uma das, agora poucas, empregadas pegou um grande espelho e o colocou em cima do rapaz que em sua estática apatia conseguiu reunir forças para ver que havia se transformado em um boneco de plástico.
Te peço, oh Deus, não quero mais a dádiva
Retira-me o sabor desta amarga fruta
qual malícia consome essa íris ávida
hostiliza a alma e a humana conduta
Se Tu criaste a dor, sou eu a Criatura?
Renuncio, então, tua vil sabedoria
que me expõe dúvida sob a face pura,
condena-me a noite turva após o dia
Cuspo a carne da maçã envenenada
tirou-me o centro, deixando-me a beira
duma verdade pouco tudo, muito nada
Oh Deus Mito – sei – não conheço outra via
Tu és o Grande Signo, quiçá brincadeira
Porém, resta-me rogar: mim dá ingnorância.
Roberta Villa
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Não está distante a época em que se perceberá que toda literatura que á que toda literatura que recuse a caminhar fraternalmente entre a ciência e a filosofia é uma literatura homícida e suícida.


Havia, na parede da sala
uma porta
grudada
Trancava minha tristeza
quando se abria
trancava minha alegria
quando fechada
Havia no canto da sala
lá em cima
perto do teto
uma jaula
uma cela
uma gaiolinha
Com vinte centímetros de lado
trinta pela frente
trinta e três para cima
e um pássaro no meio
Livre
André prosperi
Modernidade, veja minha espada.
Lhe mostro, sem temor e sem ternura,
dela, a ponta afiada que perfura
e a borda em detalhes trabalhada
Vem, prova desta lâmina assassina.
Forjada por um bárbaro alemão
que aos onze foi morar no Paquistão
e tem seu ganha pão, hoje, na China.
Modernidade, é certa tua morte.
Agora, farei jus ao que é antigo
E em vez de tiro, ganharás um corte.
Um corte do pescoço até o umbigo,
depois entrego o teu futuro à sorte.
E por favor, não ria enquanto eu digo.
André Prosperi
Oh prédio, arquitetônica expressão
composta, entre outras coisas, de cimento.
Carrega na cabeça o firmamento
enquanto, sob os pés, espreme o chão
No esôfago comporta um elevador
que leva e traz, com mais facilidade,
O sumo sugado da humanidade.
Suor salgado, filho do labor.
Permita a mim que eu fique do outro lado,
eu rogo a ti, ilustre monumento
que fica erguido, em pé, porém, parado.
Engula-me também lá para dentro
Depois me cuspa privilegiado
Munido de gravata e sem lamento.
André Prosperi
O leite derramou e eu não contive o choro
me escorregou do olho um misto de água e sal.
Se em casa houvesse açúcar, pois, faria um soro
e juro, inverteria o fluxo lacrimal.
Meu coração desidratado eu curaria
sem precisar da intervenção de qualquer faca.
Não sentiria saudades daquela vaca
e compraria apenas pão na padaria.
Mas desolado, o pranto todo pus pra fora
tendo investido em vão contra a fisiologia.
Amaldiçôo aquele dia até agora
Bovina amada! De esperança, está vazia
a inesgotável fonte. Fora minha outrora,
mas é do chão o último gole da bacia.
o limite não existe
as cercas estão cerradas
o corpo solto
desconhece a gravidade
Onde não há vaidade ou cobiça
posse ou dependência
arbítrio, apito moral
ela está:
A liberdade
- é uma caixinha de utopia
(me redime e me fecha)
submerjo
transparente e incoercível
num estado primitivo
espontâneo natural
a ordem não estagna
os pactos não mutilam
o outro não me encontra
uma personagem muito influente que teve posição de líder em relação aos demais pensadores. Teve uma vida conturbada pelas polêmicas que criava e apesar da posição consagrada como intelectual, em vida chegou quase à beira da miséria.Entre todos os iluministas ele foi o mais audacioso filosoficamente e não hesitou em romper de vez com a Teologia e Filosofia tradicional. Para ele o homem é como os demais seres do universo: uma porção de matéria constituída de átomos e construída segundo as leis da natureza. Diderot prefere o experimentalismo de Newton ao materialismo de Descartes - sua concepção prega que a matéria é essência do real, tudo é matéria – pode-se sintetizar seu pensamento por meio de três palavras: observação, reflexão e experiência. Seu ponto de vista político é utilitarista e prevê a política subordinada à economia. Entre alguns pensadores muito ligados a Diderot estão Holbach (um rico aristocrata), La Mettrie (entre suas obras está “O homem máquina”), e Condillac.
Assim, Montesquieu inaugura um novo olhar para observar os fatos sociais, de modo metódico e sem idéias pré-concebidas. Mas, do ponto de vista político o autor não se demonstra “revolucionário” em apoiar a burguesia, preferindo defender o liberalismo aristocrático. Entretanto, Voltaire incorpora entusiasmado o “espírito do século”, tornando-se um grande agitador e propagandista do século das Luzes, acaba por fim sendo um homem-símbolo de sua época.
Voltaire é polêmico, acidamente crítico e faz oposição direta à Monarquia e a Religião, porém, deve-se compreender que ele não foi um ateu e sim, condenava o fanatismo e os preconceitos religiosos. Dirige sua atenção para o experimentalismo e o empirismo - inspirado por Newton e Locke, tem grande preocupação em descrever os fatos e as fontes com exatidão. Preocupa-se com os povos, e com o “espírito dos tempos e das nações”, adotando uma visão evolucionista do mundo. No mais, politicamente foi um reformista moderado e pragmático, defensor da liberdade e da propriedade privada, lutou por reformas administrativas e civis.
Personagem complexa, Rousseau se afirmava católico, era apaixonado e grande estudioso da música e defendeu uma tese que viria a se chocar radicalmente com a nova filosofia da época, ao alegar que as ciências e as artes ao invés do progresso dirigiam a humanidade à degeneração.Sua visão sobre a desigualdade afirmava que foram as próprias relações estabelecidas socialmente que fomentaram as imensas e cruéis distinções entre um homem e outro, portanto, a desigualdade não é algo natural. E justamente por ser a desigualdade a fatal maldição da humanidade, Rousseau criticava severamente a civilização e a organização social. Buscando resoluções para este problema dos homens, Rousseau escreveu “Do contrato Social”. Além desta importante obra, Rousseau escreve “O Emilio”, esta, basicamente é um longo tratado pedagógico em forma de romance.As duas grandes diretrizes de Rousseau são: Liberdade e Soberania.Planalto de piratininga,
País dentro de um país,
Túmulo do samba, locomotiva do Brasil
E terra da garoa
Esta é São Paulo
Onde se encontra
O guri, o piá, o garoto e o moleque
Que ficam à toa
São Paulo do pobre paulista
Dos albergues do centro,
Do jardim angela, guianazes,
jardim joamar e jova rural
São Paulo do rico paulista
Da vila Madalena, Pinheiros,
Moema e Avenida Paulista
Símbolo do capital
Os carros da vinte e três
Os prédios da Faria Lima
E os pedestres da barão
Da galeria do rock
Do largo São Bento
E a Ipiranga com a São João
A noite eu rondo
A cidade iluminada
Tudo posso encontrar
Sempre disseram
Que São Paulo
Nunca pode parar
Ra ta ta tá o metrô
Vai passar e te levar
Do norte ao sul
E de leste ao oeste
Trem, ônibus, táxi,
Motos, helicópteros
E a ponte aérea
na maior capital do nordeste
O punk da periferia
Da Freguesia foi ao Brás
A convite do Ernesto
Faixas, placas e bandeiras
Ruas interditadas
Em dia de protesto
São Paulo das marginais,
Pontes, viadutos,
O elevado e a radial
São Paulo dos marginais
Pedintes na rua
Do bom e o mau policial
Rebelião na Febem
Hospitais lotados
Briga de torcidas
E enchentes
Shoppings, cinemas,
Teatros, shows
E restaurantes
de todos os continentes
Alguma coisa acontece
Em qualquer esquina da cidade
Sou paulistano com felicidade
Assim é o Tom seu Zé
Apesar de todos os defeitos
São Paulo te carrego no peito.
Poesia se é que há p. 16