Baudelaire e a Tartaruga

Posted: quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Meu amor hoje não
te vi, há vários como você
tão iguais por esta cidade
agora, então, nem sei quem sou
e nem te conheço mais.

Quem me dera eu fosse Baudelaire
você seria a minha tartaruga
juntos, sairíamos para caminhar na chuva
contra a tirania dos relógios
dos tempos
e dos climas ruins


- insossa apoteose da rotina
somos muito rápidos e ingênuos
para perceber o apogeu das horas
extasiadas sob o nosso cotidiano.

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Posted: sábado, 10 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Faça parte!

Este pretende ser um espaço de interação e discussão e não uma vitrine! Deixe um comentário com seu endereço de e-mail e enviaremos um convite. Façamos Poesia!

A marcação das horas de Ananias Bartolomeu em um relógio de números romanos.

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-Emmanuel G. Lisboa-
(a André Prosperi, meu amigo)

Se andares segundo minhas leis, se agires segundo minhas normas e guardares todos os meus mandamentos, procedendo em conformidade, cumprirei a teu respeito minha palavra.” (Reis I, 6.12)

Vivia feliz Ananias Bartolomeu. Não trabalhava, não comia, não lia, não ia ao banheiro, não transava, não falava, mas olhava as horas. Ananias era um dos poucos possuidores de um relógio tipo cebolão com números romanos. Seu belo marcador de horas era azul e os ponteiros tinham a seguinte disposição: o das horas era fálico e brilhava na ponta, o dos minutos e o dos segundos eram arredondados nas pontas e em cores que diferiam do preto, cor do ponteiro menor.
Tal objeto havia sido presente de seu pai. Franklin Bartolomeu, homem muito sábio e estudioso da astrologia.
A vida de Ananias certamente não foi das mais agitadas, conheci o homem por muitos anos e nunca trocamos uma palavra. A falta de agitação na sua vida deu-se porque Ananias Bartolomeu decidiu lá por volta de seus onze anos e meio que é quando os meninos começam a interessar-se por meninas, olhar para o relógio e observar minuciosamente o movimento de cada um dos ponteiros do mesmo.
Correu então toda a sua puberdade e adolescência reparando e anotando em pequeno bloco cada um dos movimentos do ponteiro das horas. Viu seus irmãos se casarem sua mãe falecer a casa em que morava desmanchar-se e não se moveu. Até completar vinte e cinco anos que foi quando ao sentir frio mudou-se para dentro de uma igreja. E por ele passavam casamentos, enterros, tempos litúrgicos e ninguém reparava Ananias, muito embora o homem fosse bastante alto, nem Deus reparava nele. A igreja que era sua morada foi fechada para reformas, certa feita um pedreiro se deparou com Ananias e ajudado por um de seus serventes transferiu o homem para um prostíbulo próximo. Na zona Ananias apercebeu-se do não notado. Era o ponteiro dos minutos, ele nunca havia o visto. Contava a essa altura seus cinqüenta anos que agora ferrenhamente eram dedicados a medida do meio. Ananias viu ali no meretrício o seu relógio e em volta dele os outros ouviam e viam muitos gemidos, bofetadas, transas e tudo mais que se vê em tal lugar.
Quando Ananias completou setenta e cinco anos, não morreu, mas foi mudado de novo, pois devido a intempéries governamentais sua residência foi lacrada pela polícia, que sempre resolve os problemas de todo mundo. Ananias dedicou-se com essa mudança a não morar, pois mudaram-no para uma calcinha onde registrou os segundos que corriam.
Como ninguém trabalha de graça o relógio de Ananias parou, e o homem fez de seus braços, do qual usava apenas o esquerdo, os ponteiros do relógio.
Quem vive feliz é sua hospedeira, que nunca troca a roupa intima.

Kão

Posted: quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Morreu como um cão!
Com sua visão preto e branco
seu excesso de servidão


Seu corpo em carniça sobre o concreto
um cão, um cão, um cão.


Morreu como um cão!
com aquele quê de quem não questiona
sua carne putrefata
findou na contramão
(e que ainda encontre a lírica)
como naquela música Construção


Poderia ser K. de Franz Kafka
Poderia quiçá ser quem somos
cão cão o Kão.


Bolinhas de Sabão

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Eu brincava:
bolinhas de sabão
quando pisei numa poça
de ilusão
nela tinha lama,
limo
e xixi de rato

Morrerei, agora
com leptospirose.
Mas antes quero a ultima
derradeira dose
(para desengordurar o corpo e a mente,
um copo de água-detergente
vira
Bolinhas de Sabão)

Às vezes o preço da vida é caro
Às vezes o produto raro
parece ter defeito
(lama, limo, xixi de rato)

“Então, moço, cobra mais barato?

Não quer !?

Duvido você ter troco pra cinqüenta!”

(pra cinqüenta bolinhas de sabão) .

Roberta Villa

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Posted: terça-feira, 6 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Olá! O que estás a visualizar não se trata de uma vitrine a qual tu facilmente encontrará nalgum shopping center.
Este aqui se trata de um espaço reservado a exposição e troca de ideias, sob variados formatos, e tem por pretenção tornar-se um espaço interativo.

Exponha um texto de sua autoria, exponha sua crítica aos textos já expostos. Deixe uma dica, um elogio, uma angústia, um comentário, enfim, expresse algo. diga alguma coisa!

E seja bem vindo!

-André Prosperi-

Fí, Fó, Fú

Posted: segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Qual é a função da felicidade?

Qual é a função da fauna e da flora?
Qual é a função do fio, do far?
Qual é a função da falavra, do fom?
Qual é a função do fensar, do fritar?

Qual e a função do furaquinho do furacão?
Qual é a função da foda da ficicleta?
Qual é a função da fé da força do fito ?
Qual é a função da face, da fila, da fala, do fitness, do funk?

Qual é a função da fábrica, da feira?
Qual é a função da feramenta?
Qual e a função da fraço, da ferna e do fú?
Qual é a função, do fusca, da farafuseta?
Qual é a função da fuça-fuça, do esfrega-esfrega?
Qual a função do finto, da fuceta?


Qual é a função do feto e do fozo?
Qual é a função do fim, do fomeço?
Qual é a função da fantasia e do fonho?
Qual é a função da farofa, do foema?
Qual é a função do fundo do fundo?

Qual é a função da faca, do farfo?
Qual é a função da farda, da fatalidade?
Qual é a função do fraco e do forte?
do freto, do franco?
Qual é a função do freço do feijão?

Qual é a função da filosofiia?

Fí, fó, fú
Sinto cheiro de excremento

Fí, fó, fú, fí, fó, fú
Qual é a função do nariz
Qual é a função do germe da fome

Fi, fó, fú, fí, fó, fú
Qual é a do homem?

Desedificação

Posted: domingo, 4 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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um milheiro de areia
sentimento com concreto
massa, ferro aflito;
e o prego devaneia.


Em nós firmou-se alvenaria
enfim,chega-se ao teto
porém, há o erro feto
é o alicerce-idéia


Edifício Obsoleto
da vil janela oculta
afã-luz se distancia


Como se houvesse infância
revolto-me, sem culpa
com acre querer: Grito!


Quero quebrar esta estrutura
crua
vadia
pela rua correrei aclamando:


- Desedifiquem-se do sistema.

Pensamento Sem nome 1

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Meta a máscara mais cara
na mais barata massa
encefálica.

André Prosperi

Pensamento Sem nome 2

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Bata,
pois os nervos são de aço
e o sangue, de barata.


André Prosperi

Semelhanças & Diferenças (Mário Quintana)

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Deus criou o mundo "e viu que era bom". desde então, nunca faltou um poeta que igualmente criou algo e também viu que era bom. Mas trata-se de poetas medíocres...

Clarividência (Mário Quintana)

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O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele o teu nariz, não culpes o mágico.

Círculo

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Toda vez que eu chego
o fim escapa,

foge, inda mata-me
o sossego.

Me deixa em desespero
e sem mapa

sob a placa
de algum recomeço.


André prosperi

Mente

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A mente mentirosa
Mente mentirosamente

A mente sincera
Mente sinceramente


Se se mente
Ou se não se mente

O sêmen semeia
A semente


André Prosperi

Amadamoda I

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A mídia banca
a banda toca
a bunda balança
e ganha nota

O cérebro evapora
o seio cresce
o rico enriquece
o pobre adora

Mas a gente tá feliz.
É isso o que a gente aprende
é isso o que a gente diz.

André Prosperi