Sarau da Cooperifa: Paulo Vieira recita Drummond

Posted: quinta-feira, 30 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Meu colega do curso de pós na USP: Paulo Vieira, grande poeta, paraense, recitando Drummond no SARAU DA COOPERIFA (15/06/11). Muito bom!

Sussurro

Posted: domingo, 5 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Teu corpo é signo:

matéria e essência

linguagem e enigma

- potência nua encoberta

de imagem e sentido



Tua pele contém

todas as letras

que vão e que vem

abstratas, precisas

na tensão do teu ritmo



Teu cheiro:

todas as cifras

intangíveis

poema translúcido

perfeito, inefável


- teu corpo é signo.


(Roberta Villa)

Agência

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Aonde está esta agência

de agenciar o sentido das coisas

de localizar, analisar os sintagmas

de melindrar, apaziguar os perplexos

de naufragar, apoquentar as centelhas

de otimizar, agraciar o sem nexo

de pulsar, arrombar as artérias

Onde está este aonde?

aonde, onde, aonde?

(Roberta Villa)

Comentário sobre a leitura de “O Arco e a Lira” Octavio Paz

Posted: quarta-feira, 1 de junho de 2011 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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“Não sem justificado assombro as criançasdescobrem um dia que um quilo de pedras pesa o mesmo que um quilo de plumas...” (p. 121)


A fronteira ente a prosa e a poesia torna-se mais tênue após o modernismo, que alargou e problematizou as normatizações das formas estendendo as vias da prosa e do verso, possibilitando e provocando novas possibilidades de enxergar e interpretar o poético. Em “O Arco e a Lira” Octavio Paz discute esta questão - analisa mais detidamente o cenário da literatura espanhola, porém - apresentando ao leitor aspectos que consistem uma tendência geral da literatura moderna. “Na Espanha a ruptura com a poesia anterior é menos violenta. O primeiro a realizar a fusão entre linguagem falada e imagem não é um poeta em verso, mas em prosa: o grande Ramón Gómez de La Sernap” (p.115). A partir deste dado, Paz exemplifica e conclui: “A poesia moderna de nossa língua é mais um exemplo das relações entre prosa e verso, ritmo e metro” (p. 117)

Ao pensar a relação verso e prosa, Paz nos propõe uma reflexão genealógica sobre a linguagem e sua relação intrínseca com o ritmo, e desta forma, afirma que o ritmo não é exclusividade da poesia, pois na prosa, assim como em toda linguagem verbal, há ritmo. Contudo, o ritmo da poesia se apresenta de modo singular porque está articulado ao essencial de sua significação: a imagem. O argumento central, que “ritmo e imagem são inseparáveis” (p. 118) na construção do poema, dirige e fortalece uma profunda discussão acerca da potência da imagem diante dos limites da linguagem verbal. “O valor das palavras reside no sentido que ocultam. Ora, esse sentido não é senão um esforço para alcançar algo que não se pode realmente ser alcançado pelas palavras” (p. 128). Como diria Drummond, “sob a pele do poema há cifras e códigos”, com a leitura de Octavio Paz podemos compreender que essencialmente estas “cifras e códigos” do poema, de modo peculiar à prosa, são a articulação minuciosa entre ritmo e imagem.

Logo, a imagem é compreendida como mecanismo capaz de abrigar em si contradições, realidades distanciadas, apresentando-nos uma espécie de mosaico-caledoscópio de sentidos, sem a necessidade de racionalizar uma síntese entre os opostos: tomar dois elementos distintos para converte-los num terceiro. “Até para a dialética a potência da imagem resulta num desafio enigmático (...) a imagem é uma frase em que a pluralidade de significados não desaparece” p.130). Portanto, o autor afirma: “o sentido da imagem é a própria imagem (...) nada pode dizer o que (ela) quer dizer”, por conseguinte, “sentido e imagem são a mesma coisa”. A imagem é um choque de sentidos imaculados e potencializadores, capaz de conjugar instantaneamente o ambíguo e o paradoxal, como no caso do pesado leve de “um quilo de pedras” ou do leve pesar de “um quilo de plumas”. Independente do “quilo” a imagem da pedra é em si dureza e rigidez, enquanto as plumas não deixam de ser maciez e delicadeza; por este motivo a lógica científica, racional, pragmática não pertence à ordem da poesia. Estabelecendo esta argumentação, Paz busca provar o quanto “um poema não tem mais sentido que suas imagens” (p. 133) e assim como o sentido da imagem é a própria imagem, “o sentido do poema é o próprio poema” (p. 134), o que lhe garante uma autonomia de expressividade; conferindo, deste, modo legitimidade à idéia de que todo poema é auto-referencial, uma certa forma de metalinguagem. Se comparados lado à lado, poderia se falar numa esfera intra-referencial que circunda o poema e numa esfera “extra-referencial” da prosa, relacionada à engrenagem sistemática, coesa, conceitual que faz parte do processo de escrita e leitura do texto em prosa.

Não obstante é importante destacar que “a realidade poética da imagem não pode aspirar à verdade. O poema não diz o que é e sim o que poderia ser. Seu reino não é o do ser, mas o do “impossível verossímil” de Aristóteles” (p. 120 – 121). Discussão extensa e antiga, já anunciada no livro X de “A República”, de Platão, o qual evidencia o quanto ao poeta resta trabalhar com a incompletude de um “terceiro nível de mimeses”, não por menos, o dilema da representação é mote central do fazer poético. A tensão da palavra poética parece ser justamente sua sina em buscar traduzir-nos a pluralidade e ambigüidade da experiência do real, ainda que tenha consciência do impossível de fazê-lo. Essencialmente ritmo e imagem o poema é linguagem transgressora, pois ultrapassa as fronteiras da própria palavra: “o poema é a linguagem em tensão: em extremo de ser e em ser até o extremo” (p. 135); todavia, “o dizer poético diz o indizível” (p. 136). Magistral simbiose de ritmo e imagem, no poema se “penetra surdamente no reino das palavras”; o poeta não descreve, não representa, ele apresenta: “recria, revive nossa experiência do real” (p. 132). Poesia, reino onde nomear é ser. A imagem diz o indizível: as plumas leves são pedras pesadas. Há que retornar à linguagem para ver como a linguagem pode dizer o que, por natureza, a linguagem parece incapaz de dizer” (p. 129).

Sobretudo, Octavio Paz confronta o conceito formalista de medida silábica que muito simplificadamente regulava a distância entre a prosa e o poema, refutando-o pela idéia de que a unidade rítmica é o núcleo do verso, ou seja, a composição do texto poético pauta-se na cadência e fluência do ritmo articulado às imagens produzidas, e não apenas na contagem das sílabas. Eis porque o autor esclarece que o método de associação poética dos modernistas é a sinestesia. “Correspondência entre música e cores, ritmo e idéias, mundo de sensações que rimam com realidades invisíveis” (p. 112).


Roberta Villa

As várias artes poéticas contemporâneas

Posted: segunda-feira, 18 de abril de 2011 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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http://www.revistazunai.com/ensaios/fabiano_fernandes_garcez_variasartespoeticas.htm



Discorrer sobre a produção poética contemporânea não é uma tarefa fácil. Dessa maneira, discorrer sobre a produção poética contemporânea, sem incorrer em erro, de qualquer espécie, é uma tarefa árdua.
É quase impossível tentar “mapear” a poética contemporânea. Primeiro, devido ao grande número de poetas brasileiros, que, sobretudo após a internet, torna, a cada dia, a tarefa mais difícil; no entanto, alguns poetas ganham destaque nos meios de comunicação, na crítica ou na própria internet. Segundo, porque é extremamente difícil fazer uma análise de qualquer estrato do tempo em que estamos inseridos.
Neste texto, tentarei apresentar os diversos tipos de poéticas existentes, mas não citarei nenhum poeta como representante, porque cada um carrega uma enorme palheta de diferentes influências, pois não é o objetivo do texto criar rótulos literários para a poesia contemporânea. Assim, prefiro fazer uma breve análise das várias tendências poéticas ou, como gostam alguns críticos, famílias poéticas, uma vez que essa separação, ou aglutinação de poeticidades, pode ser, no mínimo, enganosa, pois são raros os poetas que se mantêm em apenas um estilo de texto.
Com isso, sem muitas idas e vindas, chamaremos de contemporânea toda a produção de poetas que publicaram após os anos de 1945 do século passado. Dessa forma, antes de apresentar esses estilos ou famílias poéticas, vejamos algumas definições do mais cultuado e conceituado crítico brasileiro, Antonio Cândido, que, em seu livro O estudo analítico do poema, define o emprego da palavra como imagem ou símbolo.
A base de toda imagem, metáfora, alegoria ou símbolo é a analogia, isto é, a semelhança entre coisas diferentes. E aqui encontramos, no plano dos significados, um problema que já encontráramos no plano das sonoridades como sinestesia: o da correspondência. Com base na possibilidade de estabelecer analogias o poeta cria a sua linguagem, oscilando entre a afirmação direta e o símbolo hermético. Raramente o poema é feito apenas com um ou outro destes ingredientes polares, e na sequência dos versos somos capazes de notar a gradação que os separa. Muitas vezes, o elemento simbólico não está na peculiaridade das palavras, ou na sequência de imagens, mas no efeito final do poema tomado em bloco. E em tudo observamos a capacidade peculiar de sentir e manipular palavras. (Cândido, 1993).

Assim, tendo como base a figuração das palavras, Antonio Cândido aponta três tipos de poemas. Para o primeiro tipo, o poeta usa todas as palavras em seu sentido próprio, mas a combinação dessas palavras cria um conceito figurado.
Pode, mesmo, dar-se o caso de o poeta não usar uma só palavra figurada, mas combinar de tal modo as palavras em sentido próprio, que elas se ordenam como um conceito figurado, uma realidade diversa do que as palavras exprimem em sentido próprio. [...] O sentido geral do poema é figurado, talvez um símbolo, enquanto o sentido de cada palavra é próprio. (Cândido, 1993).


O segundo tipo, é o que traz a maioria das palavras em sentido figurado, sendo usadas como imagens ou símbolos. Entretanto, mesmo as que estão em seu sentido próprio ganham valor de imagens simbólicas. Assim, todos esses símbolos são partes de um todo no poema.
Outro caso é o dos poemas em que praticamente todas as palavras são figuradas, embora umas se apresentem como tais, outras não. São usadas de modo que, mesmo sem parecerem imagens, sofrem uma alteração de significado, que vai resultar na alteração geral mencionada nos casos anteriores. […] Os demais apresentam realidades não figuradas, mas próprias. No entanto, a direção de mistério que orienta o poema faz com que cada palavra pareça figurada. O sentido figurado geral já esta prefigurado nestas palavras usadas como imagens sem o serem propriamente, pois todas são provavelmente símbolos. (Cândido, 1993).


Logo, Cândido define a alegoria desta maneira:
[...] alegoria, isto é, num tipo de linguagem figurada que, por meio da sequência das imagens, ou dos conceitos, resulta numa distorção geral do sentido. (Cândido, 1993).


Além desses dois tipos de poemas, Antonio Cândido chama a atenção para um terceiro: aquele que traz em cada palavra, ou verso, um sentido figurado, mas o poema, como um todo, é claro e explícito.
[...] temos um processo comum na poesia, que consiste em organizar logicamente, racionalmente, um pensamento poético que em si é ilógico, pois está baseado na alteração dos significados normais das palavras. Resulta ao mesmo tempo, no fim do poema, um sentido geral claro e expressivo, e um sentido figurado em cada parte, ambos colaborando para o efeito poético total. (Cândido, 1993).

Dessa maneira, nem é apenas de metáforas que se faz um poema. Com isso, Ezra Pound (1934-1972) indica três procedimentos básicos para sua criação:
1)      Melopeia: musicalidade dos versos a partir dos recursos sonoros e fonéticos, como o ritmo do poema, a aliteração, assonância, entre outros;
2)      Fanopeia: a criação de imagens por meio das palavras dos versos; é o apelo à imaginação visual do leitor;
3)      Logopoeia: é a criação da mensagem do poema; recursos linguísticos intelectuais ou emocionais.
Portanto, para a produção poética requer-se a manipulação da linguagem, e é por meio de recursos linguísticos do significante (palavra) e do significado (ideia) que o poeta cria, ou recria, o seu mundo, dialogando com ele. Assim, Décio Pignatari afirma que o poema é um ser de linguagem.
O poema é um ser de linguagem. O poeta faz linguagem, fazendo poema. Está sempre criando e recriando a linguagem. Vale dizer: está sempre criando o mundo. Para ele, a linguagem é um ser vivo, O poeta é radical (do latim, radix, radicis = raiz): ele trabalha as raízes da linguagem. Com isso, o mundo da linguagem e a linguagem do mundo ganham troncos, ramos, flores e frutos. É por isso que um poema parece falar de tudo e de nada, ao mesmo tempo. É por isso que um (bom) poema não se esgota: ele cria modelos de sensibilidade. É por isso que um poema, sendo um ser concreto de linguagem, parece o mais abstrato dos seres. É por isso que um poema é criação pura — por mais impura que seja. É como uma pessoa, ou como a vida: por melhor que você a explique, a explicação nunca pode substituí-la. É como uma pessoa que diz sempre que quer ser compreendida. Mas o que ela quer mesmo é ser amada. (Pignatari, 2004).

Entretanto, esse diálogo nem sempre é harmônico. Sobre isso, Roman Jakobson afirma:
A poesia vive em conflito com o tempo e o pensamento e manifesta essa tensão na linguagem, construção estética que dialoga com a história, pessoal e coletiva, ao mesmo tempo em que afirma sua própria identidade como artefato artístico [...] (Toledo, 1971).

Dessa forma, é essa construção estética que interessa ao nosso estudo. Se a poesia vive em conflito com tempo e o pensamento, como afirma Jakobson, de que forma a poesia brasileira sobrevive em uma sociedade capitalista de consumo? Sociedade esta que torna o homem anônimo, mais um em uma grande massa de manobra do sistema de capital. E esse homem está sem voz. A poesia tenta restaurar, nesse homem, a sua individualidade. Talvez seja por isso o visível aumento das publicações de poesia, por pequenas ou médias editoras; edições financiadas pelo próprio autor; suplementos; periódicos; e até mesmo publicações em vários formatos nos meios virtuais.
Sobre essa produção poética contemporânea, o crítico Manuel da Costa Pinto afirma haver duas vertentes:
Existem duas ideias sobre a poesia brasileira que são consensuais, a ponto de terem virado lugares-comuns. A primeira diz que um de seus traços dominantes é o diálogo cerrado com a tradição. Mas não qualquer tradição. O marco zero, por assim dizer, seria a poesia que emergiu com a Semana de Arte Moderna de 22. A segunda ideia, decorrente da primeira, é que essa linhagem modernista se bifurca em dois eixos principais: uma vertente mais lírica, subjetiva, articulada em torno de Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; e outra mais objetiva, experimental, formalista, representada por Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto e a poesia concreta. (Pinto, 2004).

O jornalista e poeta Rodrigo Garcia Lopes, em seu artigo “Muito além da academídia: Poesia brasileira hoje”, publicado na revista Coyote, fez severas críticas aos critérios adotados por Manuel da Costa Pinto:
A presença de uma palavra como "consenso", logo na segunda linha de um livro que promete mostrar "a diversidade da nossa história poética e ficcional" (p. 10) é no mínimo perigosa. Como vimos com Noam Chomsky, o conceito de consenso, nas sociedades democráticas, é manufaturado, escamoteado, quase sempre para favorecer instituições (fundações, universidades, imprensa, academias, editoras) e os interesses dos grupos dominantes e hegemônicos da sociedade. A fabricação desse consenso se dá todos os dias, e a mídia é quem cuida disso, através de fórmulas prontas e muitas vezes subliminares. É a lógica do mercado interferindo na mente dos cidadãos. Ideias não são consensuais. São um campo de batalha. A poesia não pode ser consensual, pois sua prática, idealmente, é ser não conformista. (Lopes, 2005).

Mais adiante, o doutor em literatura, Fábio Cavalcante de Andrade, estabelece quatro tendências:
1. Poesia Marginal, surgida como resposta direta ao clima opressivo do regime militar, buscando espontaneidade e o retratismo do cotidiano político;
2. Poesia Visual, herdeira e continuadora de determinados procedimentos do concretismo, bem como de outras vanguardas;
3. Poesia de Renovação das formas tradicionais e do cotidiano, indicando obliquamente uma forte presença de poéticas como as de Drummond e Manuel Bandeira, mas onde também se pode encontrar certo classicismo;
4. Poesia Hermética, acrescentando ao cânone brasileiro uma série de poetas difíceis, obscuros, apresentando ainda grande parentesco com valores da alta modernidade. (Andrade, 2008).

Portanto, é sobre essas quatro tendências que tentarei discorrer, mesmo sabendo que toda e qualquer classificação é arbitrária e provisória, porém necessária para uma tentativa de mapear as várias linhas ou estilos da poética contemporânea.

Poesia Marginal
A poética denominada Marginal, também conhecida como geração mimeógrafo, nasceu nas décadas de 1970 e 1980, anos da ditadura militar. É uma poética engajada, rebelde e revolucionária, sem preocupações estéticas e de acentuada informalidade. Essa poética também é marcada pelos recortes do cotidiano. Heloísa Buarque de Hollanda, na antologia Esses Poetas, primeiro registro dessa poética, acaba inserindo a poética surrealista paulistana pautada pelo registro espontâneo às experiências com a escrita automática. Os poetas marginais participavam de todo o processo do livro, da criação, manufatura e venda. A este respeito, no prefácio da coletânea da segunda edição, Heloísa escreve:

Frente ao bloqueio sistemático das editoras, um circuito paralelo de produção e distribuição independente vai se formando e conquistando um público jovem que não se confunde com o antigo leitor de poesia. Planejadas ou realizadas em colaboração direta com o autor, as edições apresentam uma face charmosa, afetiva e, portanto, particularmente funcional. Por outro lado, a participação do autor nas diversas etapas da produção e distribuição do livro determina, sem dúvida, um produto gráfico integrado, de imagem pessoalizada, o que sugere e ativa uma situação mais próxima do diálogo do que a oferecida comumente na relação de compra e venda, tal como se realiza no âmbito editorial. A esse propósito, convém lembrar a tão frequente presença do autor no ato da venda o que de certa forma recupera para a literatura o sentido de relação humana. (Hollanda, 1998).

Poesia Visual
Essa poética é herdeira da vanguarda concretista, mais principalmente do poeta francês Mallarmé, e próxima das artes plásticas e dos meios tecnológicos. Faz a união entre a cultura pop, de massa, com a publicidade, a música, sobretudo o videoclipe. Poética que utiliza a escrita como elementos gráficos, além de outros recursos visuais, como as colagens, os grafismos e os diferentes alfabetos. Segundo o crítico e poeta Claudio Daniel, em seu artigo, “Pensando a Poesia Brasileira em Cinco Atos”, publicado na revista paranaense Coyote, é uma linguagem de futuro promissor, devido ao avanço tecnológico.
É possível supor que, dentro de uma ou duas décadas, as novas gerações possam unir o conhecimento dos livros com o manejo tecnológico, tendo condições ideais para desenvolverem poemas interativos, aprofundando as propostas das vanguardas históricas. Será essa, porém, a única via para a experimentação poética? Ou é possível prosseguir com o ideal de invenção no poema-texto? (Daniel, 2005).

Poesia de Renovação das formas tradicionais e do cotidiano
Conforme descrito por Manuel da Costa Pinto, essa poesia está ligada ao cânone modernista, principalmente a dupla Bandeira e Drummond; é de uma vertente mais lírica e subjetiva da experiência da vida comum e cotidiana, também marcada por uma forte intertextualidade, e apresenta várias formas: a fixa (sonetos, odes etc.) ou a livre. É conhecida por geração 60, mesmo que alguns de seus representantes tenham publicado antes ou depois. Sobre essa vertente, Fábio Cavalcante afirma:
Na geração de 60 é possível reconhecê-los, aqueles que cultivaram o lirismo, através de formas fixas ou livres, ressaltando ou ocultando o sujeito lírico, e mantendo a experiência humana como fonte fundamental de suas inquietações e órbita incontornável do poema. Do ponto de vista técnico, apresentam diversidade e facilidade de locomoção entre registros formais diferentes. Do soneto a uma canção, dos versos livres à criação de novas formas fixas. Em todos, porém, sente-se a proximidade de uma experiência vital de vida, que não desaparece no formalismo de vanguarda nem na facilidade da expressão espontânea. Nem o fetiche da inovação nem a suposta liberdade do engajamento. São poetas responsáveis pela manutenção, ao longo de três décadas, do terreno literário, protegendo-o contra a infertilidade na qual muitos marginais caíram, e contra as experiências malogradas da vanguarda mais radical. (Andrade, 2008).


Poesia Hermética
Essa poética é chamada de hermética por apresentar uma linguagem elaborada, sem articulação léxica, por vezes obscura ou enigmática. Com isso, Fábio Cavalcante afirma:
O Hermetismo poético é senão a principal, uma das principais formas da expressividade moderna, uma espécie de platonismo às avessas: quanto mais distante do retratismo, da mera cópia da realidade, mais verdadeiro aos olhos dos poetas. (Andrade, 2008).


Essa poética ganha força a partir dos anos 1990. É herdeira de várias fases do Modernismo, principalmente das mais radicais e experimentais, como a poesia concreta; dos poetas João Cabral de Melo Neto e Murilo Mendes; dos poetas marginais; e também das culturas primitivas, orientais, bem como da cultura pop. Claudio Daniel, em seu artigo “Uma escritura na zona de sombra”, afirma:
A diversidade de linhas de pesquisa e processos de criação, signo dinâmico da nova poesia, requer não o estático, mas o mutável, sem a hegemonia de uma única concepção, e aponta ainda em outras direções luminosas. O tempo exige poéticas em mandala, arco-íris, cauda de pavão, e desencasula formas e cores como um tapete marroquino [...].
Os poetas atuais não comungam de um mesmo credo, mas têm como princípio básico a noção do poema como um elaborado artefato de linguagem — e não apenas isso. O meticuloso artesanato das palavras soma-se à investigação de novos repertórios simbólicos e culturais do Ocidente e do Oriente, da escritura e de outros códigos de expressão, de um passado remoto ou da atualidade — como resistência. (Daniel, 2000).


O poeta e ensaísta continua sua afirmação e, em seu artigo “Geração 90: uma pluralidade de poéticas possíveis”, divide essa poética em quatro grupos. São eles:
Neobarroco – A poética da “pérola irregular”
De elevado grau de elaboração de linguagem algumas similaridades formais, como o uso da metáfora, a riqueza imagética, as referências à pintura, à fotografia e ao cinema, o vocabulário erudito e a sintaxe fraturada, que não elimina o discurso, mas o redimensiona de maneira inventiva. São poemas que se afastam da espacialização gráfica e da fragmentação léxica do concretismo e também da linguagem coloquial e prosaica da “geração mimeógrafo”, aproximando-se de uma construção mais hermética ou barroquizante que exige do leitor uma cumplicidade de repertório e uma não menos árdua estratégia de leitura. O verso não é abolido, mas reconstruído para além da camisa-de-força da métrica e das facilidades oferecidas pelo verso livre, abrindo um campo de experimentação para a poesia enquanto elaboração verbal.

Minimalismo – A poética da arquitetura concentrada
A construção poética concisa, fragmentária, que condensa os recursos da linguagem e se choca com violência contra a sintaxe discursiva e a própria noção de verso define a tendência minimalista. O principal recurso estilístico utilizado por essa tendência é a metonímia, aliada à elipse, embora apareçam também metáforas de sabor surrealizante, que derivam dos tender buttons de Gertrude Stein. A esse respeito, Manuel da Costa Pinto fala em “justaposição de frases nominais, refratárias às correlações lógicas”, e ainda de uma “língua desconexa”.

A poética do formalismo informal
Incorpora elementos implícitos do cinema em suas próprias estruturas — cortes, fusões, sequências, closes, flashbacks, silêncios, ruídos (idem). A influência do cinema, da música popular, da filosofia oriental, da mitologia beat e das histórias em quadrinhos é visível. São poetas que mesclam referências cultas às linguagens da comunicação de massa, explorando também o imaginário e as formas estéticas de culturas não ocidentais, como os mitos indígenas e a poesia chinesa e japonesa. O resultado desse sincretismo é uma poesia de dicção coloquial, melódica e fluente, com o uso eventual de rimas, aliterações e do verso longo, próximo à prosa, mas sem desprezar o uso espacial das linhas na página. A imagem é um elemento importante para a articulação do seu pensamento, com o uso de closes e cortes metonímicos para a descrição de cenários da natureza.

Etnopoesia – A poética da miscigenação transistórica

A recriação de formas poéticas de culturas antigas e não ocidentais, como o oriki africano, o sijô coreano ou os cantos xamânicos de tribos esquimós corresponde a uma tendência conhecida como etnopoesia.  (Daniel, 2008).


Portanto, esta análise tem como propósito apresentar algumas das possibilidades poéticas contemporâneas, porém sabendo de sua pluralidade criativa, e que essas possibilidades são e estão vivas, crescendo, metamorfoseando e frutificando-se, impossível de alocar-se em prateleiras estáticas reducionistas.





Referências



ABAURRE, Maria Luiza Marques. “Como ler um poema?” In: ABAURRE, Maria Luiza Marques; PONTARA, Marcela.  Literatura Brasileira: tempos, leitores e leitura. São Paulo: Moderna, 2006.

ALEXANDRE, Alberto. Tentativa de Pôr Ordem na Casa. MASSI, Augusto (org.). Artes e Ofícios da Poesia. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1991, pp. 24-25.

ANDRADE, Fábio Cavalcante. A transparência impossível: lírica e hermetismo na poesia brasileira atual / Fábio Cavalcante de Andrade. – Recife: O Autor, 2008. 331 folhas: ilustrado, quadro.

ANTUNES, Arnaldo. “Prefácio para o livro ‘Não’, de Augusto de Campos” In: CAMPOS, Augusto de. Não. São Paulo: Perspectiva.

BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1990.

CÂNDIDO, Antônio. O estudo analítico do poema. São Paulo: FFLCH-USP, 1993. (Terceira leitura, 2).

DANIEL, Claudio. “Geração 90: uma pluralidade de poéticas possíveis”. In: Protocolos críticos. São Paulo: Iluminuras / Itaú Cultural, 2008.

DANIEL, Claudio. “Pensando a Poesia Brasileira em Cinco Atos”. Revista Coyote, Londrina, n° 13, pp. 48-51. 2005.

DANIEL, Cláudio. “Uma escritura na zona de sombra”. Babel. Revista de poesia, tradução e crítica, nº 3, set.-dez. 2000.

OLIVEIRA, Solange Ribeiro de. “Do poema ao vídeo e à instalação: o poético nas artes contemporâneas”.

Esses Poetas – uma antologia dos anos 90, (organização), p. 318. Aeroplano Editora, RJ, 1998.

ESTEBAN, Claude. Critica da Tazfio poética. Trad. Paulo Azevedo Neves da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

FERREIRA, Valéria Rosito. “Poesia contemporânea em Arnaldo Antunes: ventando as palavras, alforriando as coisas”.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. 26 Poetas Hoje, (organização, 2ª edição) RJ, Aeroplano Editora, p. 270. RJ, 1998.
___________.__________________. Esses Poetas – uma antologia dos anos 90, (organização), p. 318. Aeroplano Editora, RJ, 1998.

JAKOBSON, R. e TYNIANOV, J. “Os problemas dos estudos literários e linguísticos”. In: TOLEDO, Dionísio de Oliveira. (org.). Teoria da literatura — formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1971.

LOPES, Rodrigo Garcia. “Muito Além da Academídia: Poesia Brasileira Hoje”. Revista Coyote, Londrina, n° 12, pp.48-51. 2005.

PIGNATARI, Décio. O que é comunicação poética. São Paulo, Ateliê Editorial, 2004.

PINTO, Manuel da Costa. Literatura brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2004.

SISCAR, Marcos. “A cisma da poesia brasileira”. In: Sibila. ano 5: n° 8-9: 2005, pp. 41- 60. São Paulo.

“Terça-Nada, Marcelo”. Livro Objeto/Poesia Objeto!

VASCONCELOS, Maurício Salles. “Poesia Contemporânea Nacional. Reincidências e passagens. Aletria”. Revista de estudos de literatura, 6. Poesia Brasileira Contemporânea. Faculdade de Letras da UFMG, CEL, 1999, pp. 18-2

Vídeo poema: Encarte

Posted: sábado, 5 de fevereiro de 2011 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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convite de lançamento do espaço dos escritores

Posted: sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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http://www.leguarulhos.com.br/

Pedreira

Posted: sexta-feira, 12 de novembro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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O caminho continua lá

infinito, implacável fato, água

mole é o tempo que ele fura.

E o caminho continua lá

indelével, imortal feito pedra

dura, a encarar o sujeito.

Há liberdade da imprensa?

Posted: sexta-feira, 29 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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por Fabiano Fernandes Garcez

Você conhece aquela anedota do rapaz que passeava próximo ao estádio do Morumbi e viu que um Pit Bull iria atacar uma criança, então um homem aparece e mata o animal, salvando a garotinha. O rapaz, comovido com a cena, se identifica como jornalista e diz que colocaria a seguinte manchete em seu jornal: São paulino salva garota indefesa de animal feroz! O homem agradece, porém diz que não é são paulino e sim corintiano, no dia seguinte a manchete é: Corintiano assassina animal de estimação!

O interessante da piada, além da brincadeira com o clichê futebolístico e preconceituoso, é a reflexão que podemos tirar das manchetes, afinal, nenhuma delas é mentira. O Pit Bull é feroz e também é um animal de estimação, porém ao escolher determinadas palavras o autor do texto acaba por revelar um determinado juízo de valor, ou seja, o fato não foi fabricado, como acontece com muitos fatos no campo do jornalismo esportivo, no entanto a forma de transmissão desse fato foi manipulada. Nenhuma escolha semântica passa incólume, cada palavra que usamos a escolhemos para servir às nossas convicções, ideais, ideologias e, principalmente, interesses.

Nestes últimos dias, período de eleição, podemos notar que as grandes instituições jornalísticas —rádios, TVs, sites e jornais—, estão preocupadíssimas em eleger seus candidatos preferidos, —é necessário dizer que a maioria prefere o mesmo candidato? Jornalistas, articulistas, colunistas, cronistas publicam em seus espaços tentativas de justificar suas escolhas eleitoreiras ou seria a tentativa de induzir o leitor? É como escolher um dos termos animal feroz ou de estimação e depois apresentar justificativas para isso.

Alguns argumentos utilizados por esses jornalistas é o fim da liberdade de imprensa, porém muitos se esquecem que o fim da liberdade de imprensa começa dentro da própria imprensa, vide o caso, mais recente, da colunista Maria Rita Kell que foi demitida por defender o Bolsa Família em sua coluna no Estado de São Paulo, outro foi a saída do jornalista Heródoto Barbeiro do comando do programa Roda Viva, da TV Cultura, por fazer uma pergunta ao candidato José Serra sobre os caríssimos pedágios das estradas paulistas, ainda na TV Cultura existe outro caso, mais antigo, a jornalista Salete Lemos foi demitida por justa causa do jornal noturno da emissora por criticar as tarifas ilícitas cobradas pelos maiores Bancos brasileiros. Há alguns meses conversando com um jovem jornalista, jovem no sentido estrito da palavra, sem a atribuição de um valor negativo como: imaturo ou inseguro, me confidenciou que duas de suas matérias foram recusadas por seu editor, uma delas, sobre problemas de uma escola estadual, porém ele conseguiria atribuir o problema, não me lembro qual era, a União, a outra não poderia ser publicada por falar mal de “nosso patrão”, o governo do Estado de São Paulo.

No dia 27/10/2010, vi a capa do jornal O Estado de São Paulo e não havia nenhuma manchete sobre o escândalo da vez: A paralisação das obras do metrô de São Paulo por denúncias de fraude na licitação da linha Lilás. O que isso prova? Que a imprensa vive sobre a ditadura ideológica de cada jornal ou emissora ou até mesmo da instituição patrocinadora desses veículos, só um exemplo o contrato do Governo de São Paulo com o Grupo Abril é de R$ 3,7 milhões. Resta saber se que ouvimos, lemos ou vemos são realmente opiniões de seus autores ou é apenas a ordem dos donos dessas instituições, porque sabemos que caso discordem não se manterão no emprego.

O jornalista Heródoto Barbeiro quando entrevistado, disse que a função da imprensa é ser neutra, porque ninguém é imparcial, pois, segundo ele, somos humanos e temos opiniões e convicções. Será que a imprensa de hoje é mesmo neutra ou está mais para cabo eleitoral?

O leitor atento e crítico tem ferramentas para diferenciar cada caso, no entanto de todos os leitores do Brasil, quantos são atentos e críticos?

Infelizmente hoje a grande mídia reflete o bipartidarismo da cena política brasileira. Político com rabo preso é encontrado aos montes, não que isso seja natural, não é, mas menos natural ainda é jornalista com rabo preso. Tenho que fazer justiça aos pequenos diários de bairro e sites independentes onde a neutralidade ainda existe e é perceptível, diante disso surge a questão nas grandes instituições jornalísticas há liberdade de imprensa?

Obs.: Todos os dados mencionados aqui são facilmente encontrados em uma rápida procura em sites busca ou de vídeos, exceto, é claro, o que contei por ter vivido ou ouvido, não mencionei nomes por colocar em risco o emprego de terceiros.

Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá

Posted: terça-feira, 19 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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O poeta Guarulhense Fabiano Fernandes Garcez autografará seu livro Diálogos que ainda restam na Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá.



O Senac Guaratinguetá promove, entre 18 e 22 de outubro, a 8ª edição da Feira Itinerante de Troca de Livros, evento gratuito que percorre anualmente as unidades da rede Senac São Paulo com o objetivo de disseminar o universo da leitura nas comunidades por onde passa.

Durante o evento, alunos, professores e frequentadores da biblioteca do Senac Guaratinguetá poderão trocar obras que já leram por outro título disponível. As trocas serão realizadas das 9 às 21 horas. A unidade também receberá doações de livros, gibis e revistas.

Desse modo, reciclam-se materiais de leitura, fomentando a difusão de informações, com obras que passam pelas mãos de quem geralmente não tem oportunidade de adquiri-las pela compra. Os materiais devem estar em perfeito estado de conservação – critério válido tanto para trocas quanto para doações. Livros de didáticos e de cunho religioso e político não serão permitidos.

Além disso, a unidade receberá livros novos, como publicações da Editora Senac São Paulo, que serão comercializados com 30% de desconto no local, e contará com uma programação cultural diferenciada.

Informações pelo telefone (12) 2131-6300 ou pessoalmente na recepção do Senac que fica na avenida Doutor João Baptista Rangel de Camargo, nº 50, Centro

Programação

18 de outubro
19h30 – Abertura com apresentação do Sarau Cênico realizado pelo Grupo Dell`arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras
20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis: uns braços
21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, da Editora Multifoco

19 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com autores de Cachoeira Paulista. Livros Acontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão expostas durante o evento
20h30 – Palestra Literatura x Tecnologia, com o professor Jurandir Rodrigues

20 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com a autora mirim Sofia Helena Lourenço Barbosa (Aparecida). Livro Palavra de Criança.
20 horas – Sessão de autógrafos com os poetas guaratinguetaenses Tonho França (livro O Bebedor de Auroras) e Dora Vilela (Bordados do Avesso)
20h50 – Palestra Revisão: linhas e caminhos, com o professor e poeta Adams Alpes

21 de outubro
19 horas – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida e autor do livro Aquém do Lago Azul
20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e Outros Versos, de Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo Ser Breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida)

22 de outubro
19 horas – Oficina Poesia Não!, ministrada pelo professor Clebber Bianchi
20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À Medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que Ainda Restam (Guarulhos)
21 horas – Ciranda de poesia com os poetas da Editora Multifoco
22 horas – Encerramento com novo sorteio de livros

Rumo

Posted: quinta-feira, 7 de outubro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: ,
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Oscilo
entre o suspiro abstrato
e o desejo
de um grito concreto

neste ônibus lotado

Insônia

Posted: terça-feira, 21 de setembro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Eu não quero tomar remédio para dormir;


Eu não quero tomar remédio para parir;

Eu não quero tomar remédio para sorrir;

Eu não quero tomar remédio pra não doer;

Eu não quero tomar remédio pra não morrer;

Eu não quero tomar remédio para viver;

Eu não quero tomar remédio pra controlar;

Eu não quero tomar remédio pra acalmar;
Não vou tomar remédio para me calar.

21º Bienal do livro de São Paulo

Posted: terça-feira, 10 de agosto de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Olha aí, Felipe Melo!!

Posted: terça-feira, 27 de julho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Profeta Millôr

Posted: sábado, 24 de julho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Biblia do Caos: Novo Evangelho


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IV.
Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião, a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden.

Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo-Poderoso), que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha.

Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida