Xavier Creff - Vale a Pena Ouvir

Posted: sábado, 15 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
0

Compartilho com vcs minha descoberta. As músicas foram retiradas do Álbum L'ours Blanc au Panthéon, de Xavier Creff.
Espero que gostem.


Ils


Pots de Vin

Resenha : O Orientalismo - E. Said

Posted: quinta-feira, 13 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
0


Em “Orientalismo”, Said defende a tese que o Oriente é uma criação do Ocidente, promovendo de “Orientalismo” como forma de discurso resultante da elaboração ocidental, que criou dentro de seu sistema acadêmico e intelectual uma espécie de categoria e um tipo de erudito especifico – o Orientalista. Na realidade o que está em jogo é essencialmente uma relação de poder na qual o discurso orientalista constrói e legitima a situação entre dominantes e dominados. Para Said, falar de Orientalismo é a princípio falar de uma empresa Cultural Francesa e Britânica e que, após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se uma empreitada norte-americana. Desta forma o Ocidente, ao construir a imagem de um Oriente inferior, pobre e autoritário, simultaneamente estava construindo sua auto-imagem de superioridade, riqueza, democracia. A manipulação e veiculação dessas idéias gerou conseqüências desastrosas para a humanidade.Como exemplo, o autor aponta a questão da dominação americana no Oriente, e descreve a pretensão ocidental desde Napoleão no século XVIII, de mudar o mapa do Oriente Médio.

Roberta Villa

Para ler na íntegra, vá em "artigos"...

Soneto Simpático

Posted: terça-feira, 11 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
2

- Baseado em preceitos de Emmanuel Lisboa -

Afora Deus, só o chato é onipresente.
Mas Deus não aparece toda hora.
O chato, porém, surge e se demora
por mais que nosso adeus seja insistente.

No mundo há vários chatos. Entretanto,
há um tipo que encabeça a hierarquia:
aquele que não mede a simpatia
e cuja empolgação nos causa espanto.

Prefiro a companhia de um macaco
ao papo desta gente linguaruda
que vive só pra encher o nosso saco.

Se está angustiado, não se iluda.
O chato sempre trás sob o sovaco,
além do cheiro, um livro de auto-ajuda.

André Prosperi

Soneto Verde

Posted: sábado, 8 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
0

Respeito quem protege a natureza,
quem cuida das plantinhas e dos bichos.
Confesso que até eu separo os lixos,
poupando ao catador esta despesa.

Ocorre que, entretanto, a via oposta
demonstra um quadro muito diferente:
quem vive como eu não é mais gente,
é monstro que se mata e come bosta.

Controlam o meu tempo de chuveiro,
e só porque não nego à grama a poda
me tratam como horrível baleeiro.

Não é o preconceito que incomoda,
é ter de ouvir conselho o tempo inteiro
Agora que ser chato virou moda.


André Prosperi

TeleSoneto

Posted: quarta-feira, 5 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
1

O mal não tem dinheiro, mas trabalha.
Tem voz mas não tem face - coisa irônica!
Enquanto a gente chora ele gargalha,
polindo o vil crachá da telefonica.

Pastamos em seu vasto latifúndio
a um passo do suicídio. Ruminando
os verbos conjugados no gerúndio
(perdoem-me os Arlindos e os Fernandos).

- Senhor, o protocolo não condiz.
Assim o atendimento não caminha...
- Mas eu nem anotei, seu infeliz!

Pois bem, nosso pudor se desalinha,
e quando a gente se encoraja e diz:
“seu filho de uma... ” putz, cai a linha.


André Prosperi

16° Encontro Cultural Dona Eta

Posted: domingo, 2 de maio de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

O 16° Encontro Cultural Dona Eta cumpre seu objetivo de levar à comunidade atividades lítero-artístico-pictórico-culturais e espera satisfazer a expectativa de todos os amigos e apreciadores que têm prestigiado o evento ao longo desses 15 anos.

Dia 1°, 8, 15, 22, 29 - sábado – 17 horas – Rádio Clube – Dona Eta, Música e Poesia – Programa Valdemir Barbosa – Memória do Som

Dia 3 - 2ª.feira - 20 h 30 min – Espaço Lucy Menezes – Rua Bartolomeu Bueno, 218
Bordados e pedrarias – (2ª. Fase) e Dança Oriental Árabe

Dia 5 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Espaço CULTrURAL – Km.4 da Estrada da Pedrinha, ao lado do Pesqueiro Tambaqui – Sarau dirigido por Marisa Papa, com a presença dos convidados Levi e Tereza, Lico, Johni e outros
Ana Cecília Pará Láua autografará seu livro “Um todo sentimental”.

Dia 7 - 6ª. feira – 20 h 30 min - SENAC - Av. João Batista Rangel de Camargo, 50 - “Há tempos...” - Exposição de Fotos de Sila Maria e Pinturas (Aquarela e “Needle Felting”) de Beth Aragão - Apresentação da Cia de Eventos! CABARET CARMEN(*) e Noite de Autógrafos dos poetas Clebber Bianchi (Taubaté), Fabiano Garcez (Guarulhos), Jurandir Rodrigues (Cachoeira Paulista) e Paulo Franco (Ribeirão Pires), com apresentação do Selo Editorial “Vale em Poesia”.

Dia 8 – Sábado – 20 h 30 min – Auditório do São Joaquim - Rua Dom Bosco, 284 – Centro - Lorena
Dança : “Espaço Expressão” – Escola de Dança e Teatro – Com direção de Layla Mulinari, o Espaço Expressão , de Lorena, apresenta seus trabalhos de 2010, envolvendo suas pesquisas em jazz, dança contemporânea, hip-hop, balé clássico, dentre outros!
(Apoio da Prefeitura Municipal de Lorena através da
Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 9 – Dia das Mães – Domingo – 20 horas – Praça Dr. Arnolfo de Azevedo, em LORENA
Talita Moura & Guto Dominguez (Clarinete e violão, professores do Projeto Guri) e
Grupo de Metais da Casa de Cultura de Lorena ( sob a regência do Maestro Washington de Oliveira Souza).
(Espetáculo oferecido pela Prefeitura Municipal de Lorena através da Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 10 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Museu Frei Galvão – Praça Conselheiro Rodrigues Alves – Exposição - Óleo sobre chapa -Aglaé Moraes Quissak Pereira – “Retratos e Flores” – Óleo sobre tela- Denise Nozaki (Dize Nozaki) – “Canção do Coração” e Hilton Antunes Fernandes – “Casarios”, com a participação especial do pintor Mário Lourenço Fernandes (9 anos).

Dia 12 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Catedral de Santo Antônio – Banda Militar do 5º BIL de Lorena, Coral Maria de Nazareth de Lorena e Coral Apparecendo de Aparecida
Convidados especiais: Bianca Côbbo, 17 anos, soprano, de São João Del Rey; Nair Antunes Cavaterra, Cecília Simas e Maestro e Tenente Jairo Ávila.

Dia 14 – 6ª. feira – 20 h 30 min – CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade “Terra das Garças” - Rua Júlio Soares Nogueira, 110 - Coral Unicanto, sob a regência da Maestrina Cecília Simas, com a participação de Carlinhos (Violão)

Dia 15 – Sábado – 20 h 30 min – Igreja de São Pedro (Nova Guará) – Apresentação do Coral Vozes do Forte (Composto pelo Contingente de Militares do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana) – Coordenação Geral do 2° Sargento Antonio Marcos e Regência do Professor Fabiano Martins.

Dia 16 – Domingo – 18 horas – Casa de Repouso Santa Isabel – Rua Tamandaré, 451 – Tarde da Saudade - Fon Cipolli e Luiz Carlos Lucafe e Dança pelo Grupo da Melhor Idade Pega Leve, dirigida por Magda Honda (Projeto Sefras-Serviço Franciscano de Solidariedade).

Dia 17 – 2a. feira – 17 horas – Cemitério Senhor dos Passos – Seresteiros e Coral daFaculdade de Engenharia de Guaratinguetá/UNESP

Dia 18 – 3ª. feira - 16 horas – Creche Chico Xavier - Rua Benjamin Constant, 140 – Projeto Piracema – Terapia do Riso

Dia 19 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Nossa Senhora das Graças – Rua Vigário Martiniano, 288 – Apresentação dos Corais - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá / UNESP, Faculdade de Odontologia de São José dos Campos / UNESP e Libercanto, regidos pela Maestrina Sandra Sampaio. Participação do Quarteto de Cordas - Profs. José Otávio Salvador Lemes Silva (violino), Elizeu Moreira (violino), Denis Rangel (viola) e Fábio Gomes (violoncelo)

Dia 21 – 6ª. feira – 20 h 30 min – Mercure – Av. Dr. Carlos Rebello Júnior, 341 - Exposição de Fotos – “Paisagens Brasileiras” – Eduardo Issa

Dia 24 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Santa Rita – Praça Santa Rita - Dona Eta, Música, Poesia e Pintura – Música com nomes de mulheres, interpretadas por Letícia e Lílian Pará, Poesias de Tonho França e trabalhos de artistas plásticos, com a participação especial da pintora Maíra Bazzarelli Monteiro dos Santos, 15 anos, vencedora do Concurso de Poesia Sítio do Juca 2009.

Dia 25 – 3ª. feira – 20 h 30 min – Organização Guará de Ensino – Av. Pedro de Toledo, 195 - Banda Sinfônica da Escola de Especialista de Aeronáutica

Dia 26 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Associação Agro-Pecuária – Praça Santo Antônio
Trio Flávio Augusto, Crilza e Cori - “Eta Rosa de Maio!”

Dia 27 – 5ª. feira - 20 h 30 min - SOS – Rua Dona Nenê Figueiredo, 81 – Campo do Galvão - Palestra do Dr. Celso Zymon – Viver naturalmente saudável – Transforme a sua vida e seja feliz.

Dia 28 – 6ª. feira – 20 h 30 min - Casa do Puríssimo Coração de Maria – Av. João Pessoa, 677 – Pedregulho- Grupo de Teatro UNATI-UNESP , apresenta a Peça - Amor de Dom Perlimplin com Belisa em seu jardim, de Federico Garcia Lorca. Direção:Thaís Costa Fróis. Orientação: Heitor Saraiva, do Projeto Ademar Guerra, da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo.

Dia 29 – Sábado – Do meio-dia às 20 horas – 1ª. Feira de Artes Natural Vegan / Sítio do Juca – Comemoração do 1° Ano do Natural Vegan - Praça Homero Ottoni – Banda BlackTie Brazilian Jazz, Seresteiros de Guaratinguetá, Nair Antunes Cavaterra e a dupla Levi e Tereza.

Dia 30 – Domingo – 18 horas – Itaguará Country Clube, Praça 13 de Maio – ENCERRAMENTO - “Estação de Dança”, sob a direção da Profa. Rosana Rangel, apresentando: Dança de Salão, Dança de Rua, Dança do Ventre, Jazz Juvenil e Sapateado.

A liberdade e a Disjunção Exclusiva

Posted: quinta-feira, 29 de abril de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: , ,
1

Estes tempos ocuparam minha alma com algumas reflexões. Inúteis, é certo, mas não menos curiosas.

Tenho verificado que, na maioria das vezes, o avançar da história nos proporciona simplesmente uma inversão de vias, de tal modo que as possibilidades se nos apresentam em disjunção exclusiva. Explicarei:
Antigamente, os pais chegavam aos filhos e diziam: "És homem, fumemos juntos teu primeiro cigarro". Hoje, entretanto, com o avanço da história e o progresso da humanidade, o pai diz ao filho: "És homem. Pega este charuto e enfia no cú.". Ou seja, houve época em que fumar era bonito e ser viado era feio; hoje é o contrário. Até certa época eu só era livre para foder meu pulmão, hoje só posso foder me ânus. Eis a disjunção exclusiva.
Considerando o contínuo ascender da raça humana, verificado claramente no aperfeiçoamento técnico, deveríamos alcançar a liberdade em disjunção não-exclusiva, de modo que fosse lícito e digno de respeito dar o cú fumando.

Exemplo da diferença entre as disjunções exclusiva e não-exclusiva:

Considere que:
D = Dar o Cú
F = Fumar

Disjunção Exclusiva:
(D v F) então (~D ^ F) v (D ^ ~F)
Trad. Se dou o cú ou fumo, então, ou não dou o cú e fumo ou dou o cú e não fumo.

Disjunção não-exclusiva:
(D v F) então (~D ^ F) v (D ^~F) v (D ^ F)
Trad. Se dou o cú ou fumo, então, ou não dou o cú e fumo, ou dou o cú e não fumo ou dou o cú e fumo.

Todos concordam que, em se tratando de liberdade, o segundo caso melhor nos contempla.


André Prosperi

Download - Réu e Condenado

Posted: sexta-feira, 26 de março de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
3


Finalmente consegui o CD do Réu e condenado e, como não se encontra mais para comprar, estou compartilhando com vcs. Se der algum pepino com o link me avisem!!!



Vídeo do lançamento de Diálogos que ainda restam

Posted: domingo, 14 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
0

Convite:

Posted: quarta-feira, 3 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

Soneto da Sorte

Posted: quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
1

Em mim há tanto orgulho e tanta pena
Que eu já nem sei qual lado é o que mais pesa
De um lado a sorte, alheia, me despreza
De outro o azar afoito me condena

Venci a maratona dos infaustos
não há no mundo homem mais cagado
se houvesse outro, o deus do azar, coitado,
de tanto trabalhar, morria exausto

Mas se foder na vida às vezes dói
Afeta o equilíbrio e a auto-estima
Nos faz pensar que não somos heróis

Até que alguma coisa nos anima
Nos tira de baixo do que corrói
E põe-nos a tomar no cú por cima.

Os diálogos que ainda restam

Posted: quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0


Eryck Magalhães
Ao debruçar-se sobre a história literária e estudar minuciosamente toda a sua trajetória, deparamo-nos com uma imensa gama de textos, temas e estilos. Diante disso, o impasse: Ainda restam diálogos? Ainda há o que contar? O poeta Fabiano Fernandes Garcez, através de seus belos versos, mostra que sim, e o faz com muita propriedade. Em seus “Diálogos que ainda restam”,poema a poema, o autor revela a capacidade que a poesia tem de se reinventar.
No poema “Diálogos”, o poeta aborda a banalização do uso das palavras, que por ora, parecem vazias em si mesmas: “Não sinto a profundidade / em todos os diálogos”. O bucolismo é outra vertente que também se faz presente, principalmente no belíssimo poema “Minha preferida” o qual nos remete aos poemas árcades. Porém, o eu-lírico, apesar de se mostrar saudosista, faz referência a seu tempo: “Ah! Colhe flores / Hoje ninguém mais faz isso / Colhe flores!”. A inquietude do homem contemporâneo consigo mesmo já é outra temática deste poeta multifacetado, e para abordá-la, o autor lança mão da intertextualidade nos poemas “Eu não sou eu” e “Sou nada”. Já no poema “Mulher”, a figura feminina é literalmente divinizada: “Para mim, Deus é mulher”. Entretanto, um erotismo que se mostra inocente permeia nos vãos dos versos: “de colo e seios fartos, para nos confortar”. Em uma série de poemas sobre “As Lembranças de Minha Avó”, o poeta faz sua reverência à importância que as mães de nossas mães tem em nossas vidas.
Sem mais delongas, que muitos outros diálogos ainda restem e que ecoem nos versos deste poeta.

Vale em Poesia entrevista o poeta Fabiano Fernandes Garcez

Posted: quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

Vale em Poesia – Qual a importância da poesia, da música, da dança, do teatro, do cinema, das artes plásticas, enfim, da arte na sua vida?

Fabiano Fernandes Garcez - A arte é muito importante na vida de todos, é pela arte que sentimos o que não é sentido, é pela arte que tornamos consciente aquilo que nos é inconsciente. Gosto de todas as manifestações artísticas, principalmente a literatura, o cinema, as artes plásticas e o teatro, não tinha muita afinidade com a dança, até que me casei com uma professora de dança e coreógrafa, então passei a prestar mais atenção e pude perceber como é importante para o espírito humano a manifestação corporal, ainda não aprendi a dançar, mas já passei a apreciá-la.


VP - Você acredita que o jovem de hoje valoriza algumas manifestações artísticas como a poesia ou a literatura, o teatro, a música clássica e as artes plásticas? Por quê?

FFGNão. Devido a minha profissão, de professor, percebo que tudo isso é muito distante dos jovens, a não ser a música comercial e o cinema de entretenimento, porém percebo que apresentando essas outras manifestações artísticas a eles e, principalmente, guiando seus olhares a coisa muda de figura, mas de primeira eles não gostam e até criticam aquilo que não conhecem muito, cabe a nós fazer o papel de guia, de cicerone para eles. Certa vez, quando trabalhei em um projeto social, fiz uma atividade com a música Meu Grui do Chico, a meninada toda torceu o nariz, depois fiz uma breve explanação sobre a letra, então um menino me disse que não gostava de Chico Buarque, mas essa música era legal, perguntei quais outras músicas do Chico ele conhecia e ele me respondeu: Só essa!


VP – Você acha que uma utilização mais efetiva da poesia, da música, das artes plásticas, do cinema, enfim, da arte no processo educacional enalteceria a sensibilidade das pessoas, de modo a fazer com que as pessoas se tornem pessoas melhores?

FFG -  Claro que sim! Lembro-me de uma entrevista de Ferreira Gullar em que ele afirma mais ou menos o seguinte: Você pode viver bem, mas se você conhece Drummond você vive melhor ainda! Só por meio da arte que o ser humano toma contato com a humanidade que nesses tempos anda desaparecida de todos os seres. Pois quem vê, por foto mesmo, o teto da Capela Sistina, ou o Davi de Michelangelo, quem assiste a um filme como Cidadão Kane, Peixe Grande ou A Vila, só para citar três, quem lê os versos de Ferreira Gullar, Adélia Prado, Bandeira, Vinicius, ou quaisquer outras das inúmeras manifestações do gênio humano, não pode ficar sendo a mesma pessoa que era antes.

VP – Quem escreve, escreve sempre para ser lido, por muitos ou por poucos, mas para ser lido. Quem seriam seus leitores?

FFG -  Sempre escrevi para as pessoas comuns, na verdade a poesia elitista nunca me tocou, acho que o poeta tem ser complexo na mensagem, não na forma ou no vocabulário, gostaria que as pessoas simples lessem meus poemas, as lavadeiras, os porteiros, os motoristas, é para eles que escrevo, creio eu que são eles que necessitam, não da minha, mas de qualquer poesia. Lembro de uma entrevista, não sei com quem, que dizia que Pablo Neruda era considerado o maior poeta do Chile, porque ele escrevia para os pescadores, resolvi que era isso que eu queria para o meu texto.

VP – Você acompanha o atual panorama da poesia contemporânea brasileira?

FFG -  Sim, tento me manter atento aos poetas de meu tempo, vejo com bons olhos a poesia contemporânea, existem ótimos poetas novos, digamos dos anos 90 para cá, de cabeça posso citar alguns que gosto muito: Tonho França, César Magalhães Borges, Fábio Weintraub, Tarso de Melo, Pádua Fernandes, Claudio Daniel e Claudia Roquette-Pinto, esses eu acompanho já algum tempo, mas além desses existem outro menos conhecidos, são meus amigos e escrevem muito bem: Noemi Moura, Maria de Lourdes Alba, Cleber Bianchi, Jurandir Rodrigues. Além de tudo isso, existem poetas que estão produzindo muito, mas apenas em Blogs e ainda não publicaram livro algum.

VP - Como é a feitura de seus poemas? Tem algum método especial de construção?

FFG -  Não. Alguns escrevo de uma vez, eles veem prontos, outros escrevo apenas um verso e depois de muito tempo faço o resto, às vezes escrevo apenas idéias e desenvolvo o poema a partir delas, ou então escrevo como prosa e transformo em poema, no ano passado escrevi uma série de 80 poemas em apenas duas semanas, depois passei a cortá-los, modificá-los e excluí-los e sobraram 50. Às vezes escrevo direto no computador, às vezes faço rascunhos em papéis, meu único método de escrita é não ter método nenhum.

VP – Como foi a concepção do livro?

FFG -  Diálogos que ainda restam na verdade não era um livro, quase todos os poemas entrariam em Poesia se é que há, o meu primeiro, nele estão poemas que escrevi desde meus 14 anos (anos 90) até o ano de 2008, mas a quantidade de páginas ficou muito grande, quase 200, então pensei melhor e publiquei primeiramente apenas os poemas mais antigos, que são os estão em Poesia... . Depois relendo os poemas que sobraram, percebi que eles tinham um tema central, mesmo sendo tão diferentes entre si, achei que eles se referiam à comunicação ou a falta dela, então passei a ler e relê-los e dividi-los em capítulos, aí me veio o nome: Diálogos que ainda restam, quando o livro ficou pronto, pedi auxílio ao grande poeta César Magalhães Borges, que foi meu professor na universidade e depois disso passei a ter amizade, e ele me ajudou, com alguns pitacos poéticos a dar um tom mais lírico, diferente de Poesia... , então passei a mandar o livro para algumas editoras. Entrei em contato com outro amigo, o maior poeta de Guará, Tonho França, para que ele me recomendasse para sua editora, a Multifoco, foi então que ele me disse que estava abrindo um selo por essa editora e me pediu o material, mandei, ele leu e gostou. Assim surgiram Diálogos que ainda restam.

SONETO AO MEU AMOR

Posted: by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

Se amor é um fogo ou é uma ferida
Ou apenas um querer bruto e fero
Ou então uma prisão de mãos regidas
Amo-te total bicho mistério

Amor meu fecha a porta escura
Amamo-nos tranqüilos ao rio
Tu, branco cisne como candura
Estendo-te a mão laço de fio

Prende-me o amor, não é dos tolos
Nem dos sábios; é apenas o teu
Camões, Bocage, Garret e Pessoa

Neruda e Castro Alves, Vinicius
Tomei versos, palavras à toa
Cantar, cantei a ti: Meu amor e vício

Diálogos que ainda restam,  p.39

O VIOLÃO

Posted: terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

Pego o violão

tiro a capa
tiro a poeira

O violão branco
de madeira

Passo a mão em sua cintura
(tem corpo de mulher)
Poso para foto
Por posar

Pois não toco
nunca toquei

Ele sempre me tocou
com seu som
nas tardes de cantoria
nas noites de serenatas que eu assistia
nas manhãs que ele me acordava e eu não queria

Penso em fazer soar suas cordas,
um acorde qualquer,
não faço

Pois não toco
Nunca toquei

O violão já trouxe melodia
alegria e até poesia
Hoje não toca mais 

Diálogos que ainda restam  p.23